Interacções farmacocinéticas na prescrição - Um estudo alargado no ambulatório de medicina geral e familiar

Luiz Miguel Santiago, Joana Fernandes, Maria Dos Prazeres Francisco, Glória Neto, Isabel Maria De Carvalho, Maria Da Graça Rocha, Laura Neto Parra

Resumo



Objectivos: Verificar o tipo e determinar a frequência das interacções medicamentosas farmacocinéticas na cadeia dos citocromos hepáticos.
Material e métodos: 15 médicos de cinco Centros de Saúde da área da Sub-região de Saúde de Coimbra, forneceram dados quanto à sua prescrição farmacológica durante dois dias de consulta apenas no respectivo ficheiro. Utilizada tabela de interacções farmacocinéticas publicada em www.druginteractions.com. Construídas bases de dados em programas Excel e SPSS. Não foi feita qualquer recomendação de dias específicos para tal recolha. Estudo das interacções farmacocinéticas por autor não prescritor.
Resultados: Em 586 indivíduos, 224 homens (38,2%) e 362 mulheres (61,8%), com idade média de 55,0±20,6 anos, não tiveram prescrição na consulta 102 (17,4%). Para os utentes que receberam prescrição nota-se maior prescrição nas sétima e oitava décadas da vida (U=14459,5, P=0,00) apesar de uma idade média de 57,7 anos, número médio de medicamentos de 2,2±1,4 por indivíduo e um número médio de doses diárias de 3,18±2,2. O número de medicamentos prescritos por grupo etário tem diferença com significado estatístico (p=0,00). Prescrição de anti-hipertensores representa 61,0% do total. Em 101 utentes (20,9%) foi encontrada interacção farmacocinética, sendo no homem de 19,1% e nas mulheres de 22,0% (ns). Foram detectadas 142 interacções, das quais 68,3% de simples co-metabolização, de inibição de isoforma de citocromo em 28,1% e de indução de produção de citocromo em 3,5% dos casos.
Dos 241 DCIs prescritos, correspondendo a 1.072 prescrições de medicamentos, para 86 DCIs (35,7%) é conhecida a/as isoformas de metabolização, correspondendo a 544 (±50%) das prescrições efectuadas.
Discussão: Há, por razões várias, cada vez maior necessidade de prescrever vários medicamentos em simultâneo. Os resultados deste estudo são semelhantes aos de outro efectuado na consulta de apenas um médico de Clínica Geral, sendo assim generalizável a importância de um bom conhecimento acerca das interacções medicamentosas. Não foi feito seguimento por questionário ou análises de problemas surgidos pela medicação. O tipo de interacções encontradas deve ser alvo de cuidado tratamento pelos prescritores.
Conclusões: Em 101 utentes (20,9%) do total foi encontrada interacção farmacocinética, sendo no homem de 19,1% e nas mulheres de 22,0% (ns). Foram detectadas 142 interacções, das quais 68,3% de simples co-metabolização, de inibição de isoforma de citocromo em 28,1% e de indução de produção de citocromo em 3,5% dos casos. Dos 241 DCIs prescritos, correspondendo a 1.072 prescrições de medicamentos, para 86 DCIs (35,7%) é conhecida a/as isoformas de metabolização, correspondendo a 544 (±50%) das prescrições efectuadas. Conclui-se pela necessidade de formação sobre esta temática tanto aos médicos em acções específicas, como na divulgação pelos promotores de medicamentos fazendo constar nos materiais distribuídos, a farmacocinética e, nesta,
o CYP de metabolização sempre que tal informação conste do RCM aprovado, bem como pela criação de um instrumento que possa ser actualizável e alvo de ampla distribuição pela população médica.

Palavras-chave


Interacções Medicamentosas; Polimedicação; Medicina Geral e Familiar

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v20i3.10040

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