Ao encontro da morte - O impacto das emoções do médico no cuidado ao doente

Maria Inês Antunes, António Moeda

Resumo



A prestação de cuidados ao doente deve ser feita de forma global, seguindo o modelo holístico para os cuidados no fim da vida. Embora não possa ser negligenciado o facto do exercício da medicina dos cuidados paliativos oferecer diversas recompensas, ninguém duvida que a quantidade de tempo que o médico passa a cuidar do doente terminal pode ser simultaneamente uma fonte de satisfação e de angústia. Um dos aspectos menos discutidos no cuidado ao doente terminal é o das emoções que este pode despertar nos médicos e as alterações que daí podem advir.
É natural e universal que os médicos possuam sentimentos relativamente aos seus doentes. A aceitação e a consciência deste fenómeno constituem pré-requisitos para o auto-conhecimento e para o auto-controlo necessários ao estabelecimento da relação profissional médico-doente. A regulação do grau de envolvimento emocional entre si próprio e o doente é uma das tarefas fundamentais no desenvolvimento do médico.
A maioria dos Médicos de Família (MF) refere a existência de um vazio entre a prática clínica hospitalar e a Medicina Geral e Familiar (MGF). Na ausência de ensinamentos úteis sobre o luto, a maioria das estratégias baseia-se em experiências pessoais. Daí se verifique a necessidade do treino médico no reconhecimento consciente das emoções, assim como na regulação do grau de envolvimento emocional com o doente.
Uma conspiração do silêncio em relação às emoções pode levar ao desenvolvimento de padrões mal-adaptativos nos médicos em formação, conducentes ao esgotamento e a outras formas de angústia emocional.

Palavras-chave


Transferência; Contra-Transferência; Cuidados Paliativos; Emoções; , Medicina Geral e Familiar

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v21i4.10156

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