Intervenção precoce no enfarte da relação

José Agostinho Santos

Resumo



Introdução: O doente coronário tem procurado o seu médico de família (MF) em busca de aconselhamento relativo à actividade sexual (AS). Porém, até hoje, a abordagem desta tem permanecido algo deficitária.
Descrição do caso: Rui, 56 anos, antecedentes de angina estável classe I. Em Março/2010, na primeira consulta com actual MF, nega queixas, porém a esposa documenta irritabilidade desde 2009, data do diagnóstico da doença coronária. Em Setembro/2010, a esposa refere um agravamento da irritabilidade de Rui, com isolamento social progressivo e prejuízo na relação conjugal. Em Outubro/2010, Rui confirma que esta alteração comportamental coincidiu com o diagnóstico da cardiopatia isquémica. Faz-se um aconselhamento para a prática de exercício, actividade intraconjugal de lazer e sexual e retoma do convívio social. Uma semana depois, volta por dúvidas relativamente às actividades a praticar, questionando «mesmo a actividade sexual
!». Diz que o seu médico anterior o teria informado que possuía um risco aumentado de enfarte agudo do miocárdio (EAM) associado à AS e recomendado «ter cuidado!». Uma intervenção precoce é iniciada, explicando o baixo risco absoluto de EAM associado ao acto sexual e reiterando a segurança da AS num doente com angina estável classe I. O casal volta posteriormente, permitindo o reforço da confiança na sua AS.
Comentário: O impacto da cardiopatia isquémica na AS é compreendido pela diminuição da auto-estima e pelos efeitos late-rais da farmacoterapia. O aconselhamento constitui importante parte da terapêutica não-farmacológica. Se desadequado, pode ser iatrogénico. Constituindo a sexualidade uma artéria de suprimento afectivo num casal, um aconselhamento inseguro foi o trigger de um processo bloqueador deste suprimento e, assim, de um enfarte da relação conjugal. Uma trombólise foi realizada para eliminar o trombo de receios. A revascularização foi conseguida posteriormente, intervindo-se no casal com a doença afectiva coronária.

Palavras-chave


Actividade Sexual; Doença Coronária; Aconselhamento

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v27i6.10903

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