Qual a evidência da restrição do consumo de açúcar nas crianças com PHDA?

Teresa Pereira Martins, Carla Costa, Carla Pereira, Catarina Marques Pinho, Cláudia Teixeira, Helena Ribeiro, Maria João Abreu, Nuno Namora

Resumo


Introdução: A Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA) é considerada a patologia neurocomportamental mais prevalente na infância, atingindo cerca de 3 a 7% das crianças em idade escolar. A intervenção terapêutica tem por objetivo principal o desenvolvimento de um equilíbrio emocional e a otimização do desempenho académico, ocupacional e relacional. Preconiza-se uma abordagem terapêutica multimodal, incluindo intervenções psicológicas e pedagógicas, farmacológicas e nutricionais. O papel da dieta como tratamento da PHDA é controverso, mas o tópico continua a interessar aos pais e profissionais de saúde, que preferem uma alternativa/complementaridade à medicação instituída.

Objetivo: Esclarecer se existe evidência acerca da restrição dietética de açúcares no controlo da sintomatologia da PHDA.

Metodologia: Em março de 2016 foi efetuada uma pesquisa bibliográfica utilizando os termos MESH "Attention Deficit Disorder with Hyperactivity”   e “Dietary Carbohydratesem diversas bases de dados, de artigos escritos em inglês, português ou espanhol, e publicados nos últimos 15 anos. Como critérios de inclusão foi definida uma população de crianças e adolescentes (<18 anos) com PHDA, cuja intervenção avaliasse a restrição de açúcares simples na alimentação em comparação com placebo ou metilfenidato, e um outcome na melhoria da sintomatologia. Para avaliar a qualidade dos estudos e a força de recomendação foi utilizada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT), da American Family Physician.

Resultados: A pesquisa efetuada resultou na identificação de um total de 54 artigos. Foram excluídos os artigos repetidos, aqueles em que se verificou discordância com o objetivo da revisão e aqueles que não cumpriam a totalidade dos critérios de inclusão. Deste modo, foram incluídos e analisados cinco artigos: uma guideline, um estudo observacional e três revisões não sistemáticas.

Discussão: Verificou-se uma grande heterogeneidade nos estudos apresentados, assim como uma fragilidade no desenho dos trabalhos. Reconhece-se a dificuldade em conduzir ensaios clínicos bem estruturados, relativos à alimentação, pela necessidade de ter em conta múltiplos fatores passíveis de interferência. Atualmente a evidência disponível é insuficiente para sugerir que a restrição do consumo de açúcares refinados poderá melhorar os sintomas da PHDA (SORT C).


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i1.11895

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