Esclerose Múltipla, o afastar da lupa – relato de caso

Inês Tinoco, Joana Oliveira Ferreira, João Rodrigues, Marta Arenga

Resumo


Introdução: A esclerose múltipla (EM) é uma doença desmielinizante, inflamatória e degenerativa do sistema nervoso central. Pode ter uma apresentação clínica variável, o que torna o seu diagnóstico desafiante. Este caso clínico, pela sua gravidade e pelo impacto na qualidade de vida da doente, pretende alertar para a necessidade de um elevado grau de suspeição do médico face a esta hipótese de diagnóstico, permitindo detecção e tratamento atempados.

Descrição do Caso: Jovem do sexo feminino, 38 anos de idade, recorre ao Médico de Família por perda ponderal significativa com consequente estudo analítico inconclusivo. Seguiram-se múltiplas consultas com apresentação de queixas inespecíficas (incontinência urinária, diminuição da acuidade visual, fraqueza muscular, desequilíbrio e tonturas) com aparentes alterações justificativas em meios complementares de diagnóstico. Pelo facto de estarmos perante uma mulher jovem, com múltiplos sintomas neurológicos (visuais, motores, sensitivos e esfincterianos) pensou-se em doença desmielinizante. Tendo ainda em conta os antecedentes familiares – doença semelhante da irmã –, foi pedida tomografia computorizada crânio-encefálica que demonstrou a presença de múltiplas lesões hipodensas da substância branca, o que no contexto clínico da doente reforçou a hipótese de diagnóstico e motivou a sua referenciação à consulta de Neurologia. Após realização de vários exames complementares, confirmou-se o diagnóstico de Esclerose Múltipla.

Comentários: O curso da patologia é imprevisível, o que se justifica pela multiplicidade aleatória de lesões disseminadas na substância branca do SNC. Este caso clínico exemplifica o desafio diagnóstico que as doenças desmielinizantes representam. Estas patologias exigem ainda uma articulação multidisciplinar eficiente com os Cuidados de Saúde Secundários, de modo a prestar o devido acompanhamento dos doentes e seus familiares, ultrapassando as limitações inerentes aos Cuidados de Saúde Primários.

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i3.12007

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