Um caso de hipertiroidismo na grávida: suplementação excessiva de iodo?

Joana Ramos Nóbrega, Ana Cebolais

Resumo


A suplementação de iodo (150 a 200 μg/dia) foi recomendada às mulheres em fase pré-concepcional, grávidas e em amamentação exclusiva.

Após introdução deste suplemento aumentou a incidência de auto-imunidade tiroideia, hipotiroidismo e de hipertiroidismo, por tireotoxicose induzida por iodo em pessoas com bócio multinodular pré-existente.

O artigo descreve uma situação de hipertiroidismo na grávida, procurando ilustrar dificuldades diagnósticas e alertar para a importância de pensar no problema, principalmente em contexto das atuais recomendações de suplementação de iodo na gravidez.

No caso descrito, a grávida tinha 38 anos, uma gravidez gemelar, antecedentes familiares de bócio multinodular e fez suplementação com iodo através de dois suplementos (o prescrito + um multivitamínico), perfazendo uma dose muito acima do recomendado. Conhecer as várias fontes de iodo que a grávida ingere e os fatores de risco para desenvolvimento de patologia tiroideia torna-se fundamental.

Existe controvérsia sobre fazer ou não rastreio a todas as grávidas ou em mulheres com alto risco de disfunção da tiróide. A triagem universal pré-concecional não é recomendada, mas alguns peritos são da opinião que se deve dosear a TSH em situações de risco.

A gestação múltipla e a iatrogenia estão entre as causas de hipertiroidismo na gravidez. Idade superior a 30 anos, antecedentes pessoais de bócio ou familiares de disfunção tiroideia constituem recomendações para rastreio de disfunção tiroideia nas mulheres em fase pré-concepcional e grávidas.

Nesta grávida não foi realizado estudo da função tiroideia pré-concecional nem no primeiro trimestre da gravidez. A suplementação com iodo foi realizada excedendo as recomendações. Este artigo salienta a necessidade em conhecer os fatores de risco antes da prescrição de iodo na gravidez e pré-concepção, assim como realça o risco de sobredosagem através da toma de múltiplos suplementos, alguns de venda livre em farmácias ou parafarmácias.

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i3.12009

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