Adesão à terapia antirretroviral em pacientes infetados pelo VIH nos cuidados de saúde primários em Nampula, Moçambique

Paulo Das Neves Pires, Abdoulaye Marega, José Miguel Creagh

Resumo



Objetivos: Avaliar a taxa de adesão à terapia antirretroviral na província de Nampula e os fatores associados ao abandono do tratamento.
Tipo de estudo: Descritivo transversal misto.
Local: Centros de saúde de cinco distritos da província de Nampula, Moçambique, 2014.
População: Pacientes infetados pelo vírus da imunodeficiência humana em terapia antirretroviral e pacientes que abandonaram, profissionais dos cuidados de saúde primários.
Métodos: Inquérito a pacientes em terapia antirretroviral e a pacientes que abandonaram a terapia, consulta documental de processos clínicos, registos da farmácia e relatórios estatísticos do programa Vírus da Imunodeficiência Humana Adquirida, entrevista aos profissionais de saúde.
Resultados: A taxa de abandono da terapia atinge os 40%. Foram inquiridos 208 pacientes em tratamento e 86 abandonos, 70% do sexo feminino, entre os 18 e os 62 anos de idade. Como causa principal de abandono 36% referem discriminação, mas 58% não dispõem de alimentos suficientes e 37% apresentam depressão. A boa adesão à terapia antirretroviral (> 95% das tomas de antirretrovirais) nos últimos três meses foi estimada em 69% dos pacientes, mas 36% apresentam um mau resultado de contagem de Linfócitos T CD4 e 63% não cumprem o protocolo recomendado pelo Ministério da Saúde.
Conclusões: O principal motivo alegado para o abandono da terapia antirretroviral é o estigma ligado à infeção pelo vírus da imunodeficiência humana adquirida, mas a insegurança alimentar constitui igualmente um fator determinante. Nos pacientes em terapia, a adesão estimada de 69% explica a alta incidência de infeções oportunistas (27%). O abandono da terapia em Nampula é um problema grave e complexo, resultante de fatores individuais, sociais e do funcionamento dos cuidados de saúde primários. Será necessário desenvolver uma ação interdisciplinar junto de pacientes, famílias e profissionais de saúde para inverter a situação e melhorar a adesão terapêutica.

Palavras-chave


Adesão; Antirretroviral; VIH/SIDA; Cuidados de saúde primários; Moçambique.

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v33i1.12021

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