Medicina física e de reabilitação no tratamento da paralisia de BELL – qual a evidência?

Sofia Oliveira Vale, Sofia Marçalo, Cláudio Sousa Martins, Ana Catarina Machado

Resumo


Objetivo: Rever a evidência científica da Medicina Física e de Reabilitação (MFR) na recuperação da Paralisia de Bell, na fase aguda ou crónica, em qualquer grau de severidade.

Fontes de dados: National Guideline Clearinghouse, Guidelines Finder, Canadian Medical Association Infobase, Cochrane Library, DARE e PUBMED.

Métodos de revisão: Pesquisa de normas de orientação clínica (NOC), meta-análises (MA), revisões sistemáticas (RS), ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), estudos de coorte e séries de casos, em inglês, espanhol e português, publicados desde 2006, utilizando os termos MeSH: peripheral facial paralysis, Bell palsy e rehabilitation. Para atribuição do nível de evidência dos estudos e da força de recomendação foi aplicada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician.

Resultados: Dos 125 artigos obtidos, cinco preenchiam os critérios de inclusão: duas NOC, duas RS e um estudo de coorte. A Canadian Medical Association (2014) recomenda MFR na fase crónica, mas não na fase aguda, enquanto a National Guideline Clearinghouse (2013), não recomenda MFR, independentemente da fase. A RS de Ferreira et al, de 2015, revela maior recuperação motora com MFR do que com tratamento farmacológico isolado, sem discriminação da fase. A RS de Teixeira et al, de 2012, refere que há baixa evidência de que a MFR seja eficaz, tanto na fase aguda, como na crónica. O estudo de coorte de Toffola et al, de 2012, conclui que doentes na fase aguda com axonotmese apresentam melhoria com MFR.

Discussão: Os estudos têm pouca qualidade e são muito heterogéneos. Na fase aguda não permitem concluir se a recuperação dos doentes é espontânea ou se é devida/acelerada por MFR. Não há evidência consistente para a recomendação ou para a não recomendação de MFR na fase aguda ou crónica, pelo que não se pode atribuir uma força de recomendação. São necessários ECAC de boa qualidade.

Palavras-chave: Paralisia facial periférica; Paralisia de Bell; reabilitação.


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i2.12030

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