Rastreio do cancro do colo do útero em mulheres homossexuais - que evidência?

Alice Jeri, Ana Bessa Monteiro

Resumo


Objetivo: Rever a evidência sobre a relevância de rastrear para o cancro do colo do útero (CCU) mulheres saudáveis com comportamento homossexual, tendo em conta o risco da neoplasia nesta população.

Fontes de dados: bases de dados MEDLINE, National Guideline Clearinghouse, National Institute for Health and Care Excellence, Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase, Cochrane Library, Bandolier, DARE e Trip Database.

Métodos de Revisão: Revisão baseada na evidência de artigos publicados nos últimos cinco anos (de 1 de outubro de 2011 a 30 de setembro de 2016), nas línguas inglesa, espanhola e portuguesa. Foram utilizadas combinações dos termos MESH “female homosexuality”, “mass screening”, diagnosis, “uterine cervical neoplasms” e papillomaviridae, e o termo “cervical cancer”. Para avaliação do Nível de Evidência (NE) e Força de Recomendação (FR) foi utilizada a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) da American Family Physician.

Resultados: Foram obtidos 88 artigos, dos quais seis cumpriam os critérios de inclusão: cinco normas de orientação clínica (uma com FR A, duas com FR B e duas com FR C), e um estudo coorte prospetivo (NE 3).

As normas internacionais apresentam algumas limitações e inconsistências relativamente à indicação do rastreio nas mulheres homossexuais, recomendando a maioria a sua inclusão. O estudo coorte encontrou alterações em citologias e testes de HPV de mulheres com comportamento homossexual, colocando-as em risco de desenvolver CCU.

Conclusões: Mulheres com comportamento homossexual podem estar em risco de infeção pelo HPV e de desenvolvimento de CCU, devendo assim ser incluídas no rastreio populacional com a mesma periodicidade das restantes mulheres (FR B).

São no entanto necessários mais estudos que reforcem esta evidência. Dada a menor sensibilização deste grupo quanto ao benefício do rastreio, sugere-se a implementação de medidas educativas dirigidas visando aumentar a adesão. Sugere-se ainda revisão das normas nacionais, clarificando a indicação do rastreio nesta população. 


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v34i6.12036

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