A propósito de uma crise convulsiva inaugural: um relato de caso

Marisa Monteiro Gomes, Susana Patricia Leal Rebelo

Resumo


Introdução: A crise convulsiva inaugural é uma causa frequente de recorrência ao serviço de urgência. Estima-se que destes casos apenas 40 a 50% tenham episódios recorrentes. Assim, face a uma crise convulsiva inaugural é importante excluir algumas condições que possam mimetizar o surgimento de convulsões.

Descrição do caso: Mulher, 45 anos, casada, com diagnósticos de mioma uterino, doença fibrocística da mama, perturbação de ansiedade e abuso de medicação (alprazolam). Em setembro de 2016 recorreu ao serviço de urgência por crise convulsiva tónico-clónica inaugural, sem aparentes fatores desencadeantes. Após exclusão de causas infeciosas, vasculares ou lesões ocupantes de espaço do sistema nervoso central, teve alta clínica com o diagnóstico de crise epiléptica inaugural, medicada com levetiracetam.

Em janeiro de 2017 recorreu ao Médico de Família para mostrar nota de alta de neurologia, após confrontação, refere suspensão abrupta da toma de alprazolam alguns dias antes da crise convulsiva, apesar das indicações dadas de redução gradual do fármaco.

Em Março teve novo internamento por delírios e discurso incoerente após gastroenterite aguda. Teve alta com diagnóstico de episódio confusional agudo de etiologia orgânica/iatrogénica. Após a alta recorre ao Médico de Família e admitiu manter o consumo abusivo de alprazolam, que suspendeu repentinamente aquando da gastroenterite.

Comentário: Este caso clinico alerta para a necessidade da vigilância dos doentes a fazer benzodiazepinas pelo risco de abuso do fármaco e da síndrome de abstinência que pode ocorrer com a sua interrupção abrupta. Adicionalmente salienta a importância do diagnóstico diferencial na suspeita de uma crise epiléptica inaugural. Para a sua resolução foi fundamental a multidisciplinaridade e muito em particular o médico de família. Este é o profissional que através do acompanhamento longitudinal do doente e de uma relação médico-doente privilegiada melhor o conhece.


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i4.12051

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