Aleitamento materno e a prevenção da doença alérgica: uma revisão baseada na evidência

Marisa Monteiro Gomes, Susana Patricia Leal Rebelo

Resumo


RESUMO

 

Introdução: As doenças alérgicas estão entre as patologias mais comuns que afetam as crianças, tendo um impacto considerável na qualidade de vida dos doentes e/ou cuidadores. O aleitamento materno é o alimento de eleição no primeiro ano de vida, com vários benefícios demonstrados. Contudo, o seu papel na prevenção de doenças alérgicas é controverso.

Objetivo: Determinar o efeito do aleitamento materno (AM) relativamente ao leite adaptado ou misto na redução da doença alérgica, nas crianças até aos 18 anos de idade.

Fonte de dados:Base de dados Medline esítios eletrónicos de Medicina Baseada na Evidência.

Métodos de revisão: Pesquisa de estudos publicados entre janeiro de 2007 e Março de 2017, em português, inglês e espanhol, utilizando os termos MESH breast feeding, atopic dermatitis, rhinitis allergic, asthma e food hypersensivity.Para avaliação da qualidade dos estudos e força de recomendação foi utilizada a escala Strength of Recommendation Taxonomy da American Family Physician (SORT).

Resultados: Da pesquisa obtiveram-se 307 artigos, dos quais sete preencheram os critérios de inclusão: uma metanálise, uma revisão sistemática, dois ensaios clínicos aleatorizados, um estudo observacional e duas normas de orientação clínica. Globalmente, relativamente à dermatite atópica parece que o AM é protetor principalmente até aos 2 anos de idade, apesar de haverem estudos que não encontram qualquer associação. Em relação à rinite alérgica o aleitamento materno foi protetor até aos 5 anos de idade e na asma até aos 18 anos. Por fim para alergia alimentar não foi encontrada associação com o aleitamento materno.

Conclusão: O AM tem efeito protetor no surgimento de asma (SORT A) e rinite alérgica (SORT B). Relativamente à alergia alimentar e à dermatite atópica, os resultados são controversos, como tal não é possível confirmar o seu efeito protetor (SORT B). São, portanto, necessários mais estudos de boa qualidade e por períodos de tempo mais alargados.


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i3.12095

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