Probióticos em mulheres com candidíase vulvovaginal: qual a evidência?

Lucélia Cristina Pedras Campinho, Susana Margarida Vilar Santos, Alexandra Cardoso Azevedo

Resumo


A candidíase vulvovaginal constitui uma das formas mais comuns de infeção genital feminina, afetando 75% das mulheres pelo menos uma vez na vida. Está associada a um desequilíbrio da microflora vaginal por consequente alteração quantitativa e/ou qualitativa dos Lactobacillus e sobrecrescimento de outros comensais da mucosa vaginal, nomeadamente a Candida albicans. Os probióticos, que contêm Lactobacillus, são frequentemente usados no tratamento e prevenção da candidíase vulvovaginal.

O objetivo desta revisão é determinar, à luz da evidência atual, se os probióticos contribuem para prevenção e tratamento de mulheres com candidíase vulvovaginal.

Foi feita uma pesquisa de normas de orientação clínica, meta-análises, revisões sistemáticas e ensaios clínicos aleatorizados, publicados entre março 2007 e março de 2017, nas línguas portuguesa e inglesa. Na pesquisa foram utilizados os termos MeSH “candidiasis vulvovaginal” e “probiotics”. Para a avaliação dos níveis de evidência e atribuição das forças de recomendação utilizou-se a escala Strength of Recommendation Taxonomy.

Da pesquisa efetuada resultaram 22 artigos, dos quais três foram incluídos. Os restantes foram excluídos por não cumprirem os critérios de inclusão, por repetição ou não estarem acessíveis.

Duas normas de orientação clínica concluíram que não está recomendado o uso de probióticos no tratamento e/ou prevenção da candidíase vulvovaginal, ambas com força de recomendação A. Em contrapartida, uma revisão sistemática de 2016 concluiu que o uso de probióticos não é eficaz no tratamento da candidíase vulvovaginal, mas na redução da recorrência da doença, com força de evidência B.

Da análise dos artigos selecionados concluiu-se não existir evidência do tratamento com probióticos na candidíase vulvovaginal aguda, mas apenas na prevenção da recorrência (Força de Recomendação B). Considera-se que são necessários mais estudos nesta área, de elevada qualidade, que suportem a evidência encontrada na formulação das recomendações.


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i6.12116

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