Hipertensão arterial secundária no adulto jovem: um caso clínico

Sandra Oliveira, Ana Marta Neves, Teresa Tomaz, Margarida Lima, Francisco Fachado

Resumo


Introdução: A hipertensão arterial (HTA) secundária corresponde a cerca de 5-10% dos casos de hipertensão. Perante uma hipertensão em adultos jovens deve-se suspeitar de causas secundárias e proceder a uma investigação clínica, laboratorial e imagiológica adequada. Em adultos jovens (19-39 anos) as causas mais frequentes de HTA secundária são as disfunções tiroideias, a displasia fibromuscular da artéria renal e as doenças do parênquima renal. Relata-se um caso clínico de uma jovem, na qual o estudo de hipertensão secundária revelou hipertiroidismo auto-imune.

 

Descrição do Caso: Utente do sexo feminino, 19 anos de idade, que recorreu a consulta de saúde de adultos por palpitações, taquicardia (FC média: 117 bpm), e tensão arterial elevada (TA média: 154/86 mmHg), objetivadas em ambulatório desde há um mês. Constatou-se ainda ansiedade, insónia inicial, irritabilidade e polifagia. Ao exame objetivo confirmou-se HTA grau 1 e taquicardia, bem como palpação de bócio difuso, indolor e simétrico, sem nódulos aparentes, tendo sido medicada com propranolol. Do estudo efetuado confirmou-se hipertiroidismo de etiologia auto-imune, anemia microcítica e hipocrómica, aspetos sugestivos de tiroidite na ecografia, bem como bócio difuso com captação aumentada na cintingrafia tiroideia, sugestivo de Doença de Graves. A utente foi medicada com metibasol 5 mg 12/12h e referenciada para consulta de Endocrinologia. Verificou-se melhoria da sintomatologia, estabilização tensional e normalização da função tiroideia.

 

Comentário: Este caso clínico pretende ilustrar a abordagem diagnóstica e terapêutica da HTA no adulto jovem, nos cuidados de saúde primários. Visa ainda fomentar o espírito crítico na interpretação dos exames auxiliares de diagnóstico perante uma dissociação clínico-imagiológica. O hipertiroidismo é uma causa comum de hipertensão sistólica isolada e o seu diagnóstico e tratamento atempados podem prevenir a emergência de complicações e influenciar o prognóstico. Para tal, é fundamental uma boa articulação entre os cuidados de saúde primários e secundários.

 

Palavras-Chave: Hipertensão arterial, Hipertensão secundária, Hipertiroidismo, Doença de Graves,  Jovem

 


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v34i6.12121

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