Tratamento da cólica infantil – uma revisão baseada na evidência

Ana Clara Moreira, Joana Catarina Castro, Joana Filipa Barreira, Raquel Coimbra

Resumo


Objetivos: O objetivo é rever a eficácia das intervenções terapêuticas na cólica infantil, uma vez que se trata de um motivo frequente de consulta, o tratamento é difícil e constitui motivo de frustração para pais e profissionais de saúde.

Fontes de dados: Bases de dados National Guideline Clearinghouse, Canadian Medical Association Practice Guidelines Infobase, NICE, Cochrane, DARE, Bandolier e Medline.

Métodos de revisão: Pesquisa de meta-análises (MA), revisões sistemáticas (RS), ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), normas de orientação clínica (NOC) e outros estudos originais, em português, inglês e espanhol, publicados entre janeiro de 2006 e outubro de 2016, utilizando o termo MeSH “infantile colic”. Foi utilizada a escala de Jadad para avaliar a qualidade dos ensaios clínicos e a escala Strength of Recommendation Taxonomy (SORT) para atribuição do nível de evidência e força de recomendação.

Resultados: Dos 185 artigos obtidos, 17 preencheram os critérios de inclusão (4 MA, 7 RS, 3 ECAC e 3 NOC). Na sua maioria, o outcome avaliado foi o tempo de choro. As fórmulas hidrolisadas demonstraram eficácia, porém não devem ser utilizadas indiscriminadamente. A evidência aponta-se mais consistente no uso de probióticos (L reuteri DSM 17938), havendo redução do tempo médio de choro diário, em regime de prevenção ou tratamento. O simeticone, frequentemente utilizado, não revelou benefícios. Nas terapêuticas complementares, existe alguma evidência a favor da fitoterapia à base de funcho.

Conclusões: Existem algumas estratégias que parecem apresentar benefício no tratamento na cólica infantil, no entanto a evidência é escassa e pouco consistente. São necessários mais estudos com amostras maiores e critérios de diagnóstico padronizados. Tendo em conta que é um processo autolimitado, na ausência de evidência robusta sobre a eficácia dos tratamentos, a atitude expectante pode ser uma estratégia a considerar.


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i5.12128

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