Tratamento da hiperuricemia assintomática: revisão baseada na evidência

Joana Rita Sousa Bento, André Rainho Dias, Nadina Sousa, Patrícia Angélico, Rita Lopes Ferreira

Resumo


Objetivo: analisar a evidência mais recente relativa ao tratamento farmacológico da hiperuricemia assintomática.

Fontes de dados: bases de dados PubMed, Cochrane Library, National Guideline Clearinghouse, Canadian Medical Association, Evidence based Medicine e NICE Evidence Search.

Métodos: Efetuou-se uma pesquisa bibliográfica, utilizando os termos MeSH “hyperuricemia/therapy” e “asymptomatic disease”. Pesquisaram-se guidelines, ensaios clínicos aleatorizados controlados, meta-análises e revisões sistemáticas publicadas nos últimos cinco anos nas línguas portuguesa e inglesa.

Foram incluídos artigos que abordassem tratamento farmacológico da hiperurciemia assintomática no indivíduo adulto, com e sem comorbilidades. Resultados avaliados: prevenção da artrite gotosa, prevenção e benefício na doença renal e doença/fatores de risco cardiovasculares, cut-off para início terapêutico e valor alvo a atingir. Para avaliação dos níveis de evidência e atribuição de forças de recomendação foi utilizada a escala Strenght of Recommendation Taxonomy da American Academy of Family Physicians.

Resultados: Dos 360 artigos resultantes da pesquisa, dez foram incluídos: quatro normas de orientação clínica, cinco ensaios clínicos controlados aleatorizados e uma meta-análise. Globalmente, os ensaios clínicos demonstram benefício da utilização de terapêutica hipouricemiante em marcadores de doença e fatores de risco cardiovasculares, bem como marcadores de doença renal crónica, também verificado na meta-análise, relativa à doença renal crónica. Já as normas de orientação clínica defendem não existir evidência que recomende o tratamento farmacológico da hiperuricemia assintomática.

 

Conclusão: Ainda que estudos recentes demonstrem benefício do tratamento da hiperuricemia na presença de comorbilidades, nomeadamente na doença renal, apresentam limitações. Conclui-se não existir evidência científica atual que suporte o tratamento farmacológico da hiperuricemia em doentes assintomáticos (SORT B), pelo que mais estudos serão necessários.


Texto Completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i6.12308

Apontadores

  • Não há apontadores.


Copyright (c) 2019 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar