Prevalência da hipertensão arterial na população portuguesa em contexto de férias e abordagem multivariada dos fatores de risco através do método HJ-Biplot.

Angela Pereira Serafim, Ana Luísa Martins-Ferreira, Maria Paula Serafim, Gonçalo Oliveira, Eleutério Pedro-Rocheta, Nelson Pires

Resumo


Objetivos: Prevalência da hipertensão arterial (HTA) numa população em férias representativa da população portuguesa, assim como estudar a relação dos valores tensionais com fatores de risco através do método HJ-Biplot.

Tipo de estudo: Observacional, descritivo, do tipo transversal, com uma componente analítica.

Local: Vilamoura durante o período de férias de verão.

População: População de ambos os sexos com idade igual ou superior a 18 anos e representativa da população portuguesa em férias nesta região.

Métodos: A avaliação das pressões arteriais (PA) foi realizada em Vilamoura de 30 de Julho a 5 Agosto de 2017 em dois locais distintos: Praia da Falésia e Marina de Vilamoura. Foram avaliadas cerca de 1000 pessoas, provenientes de diferentes regiões do país. A medição da PA, em mmHg, foi realizada segundo os procedimentos das guidelines for the Management of Arterial Hypertension. Foi considerada hipertensão arterial (HTA) se pressão arterial sistólica (PAS) ≥ 140 mmHg, e/ou pressão arterial diastólica (PAD) ≥ 90 mm e/ou a fazer medicação antihipertensiva (das diferentes classes de antihipertensores). Foi aplicado um questionário em suporte informático, com o objetivo de recolher parâmetros antropométricos, patologias associadas e hábitos e estilo de vida. Foi garantida a proteção e confidencialidade dos dados pessoais e de saúde.

Resultados: Os resultados obtidos mostram que 33,3% da população estudada tinha HTA. De entre os indivíduos com HTA , 80,4% tinha conhecimento da sua situação de saúde, havendo a mesma percentagem sob terapêutica médica antihipertensora, dos quais 68,6 % apresentava valores normais de TA. As diferenças observadas entre sexos e entre grupos etários na prevalência de HTA mostram valores mais elevados no sexo masculino (M:43,0% e F:26,0%) e na faixa etária > 65 anos (76,2%). A interpretação multivariada (HJ-Biplot) permitiu reforçar o aumento da prevalência da HTA com alguns fatores de risco, nomeadamente o sexo, a idade, o Índice de Massa Corporal, comorbilidades (principalmente diabetes e dislipidémia) e estilo de vida, nomeadamente a atividade física e os hábitos tabágicos.

Conclusões: Os resultados do presente estudo sugerem, em comparação com outros estudos na população portuguesa e mundial, a existência de uma evolução positiva na redução da prevalência de HTA, acompanhado por um aumento do seu controlo, embora existam diferenças entre subgrupos populacionais, com fatores de risco inerentes.


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i6.12319

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