Modos de ver e de se ver na relação interpessoal de ajuda

Eunice Carrapiço, Victor Ramos, Alexandra Mendes Gomes, Filipa Manuel, Hélder Gonçalves, Luísa Batista, Mariana Prudente, Rita Correia, Tânia Varela

Resumo


Enquadramento: Os autores descrevem um exercício realizado em grupo de formação em Medicina Geral e Familiar (MGF) em 2015. O ponto de partida foi a assunção de que a capacidade de autoconsciência por parte dos profissionais, ajustada a cada pessoa e situação, é um dos fatores decisivos para a eficácia da relação de ajuda.

Objectivos formativos:

  1. Treinar a autoconsciência de perceções, enquanto modos de se ver a si, ao outro e à relação entre ambos;
  2. Reconhecer a suas emoções no decorrer da comunicação e relação com o outro;
  3. Identificar as suas limitações comunicacionais, relacionais e técnicas;
  1. Discutir em grupo as diversas experiências e os resultados percepcionados por cada autor ao longo do exercício, visando identificar e sistematizar os ganhos de aprendizagem conseguidos.

Descrição: O exercício consistiu na discussão em grupo, de situações concretas vividas pelos seus membros durante as consultas de MGF. Foram analisadas as perceções, emoções, atitudes e comportamentos presentes em cada situação e identificadas necessidades de ajustamento pessoal para ser um recurso de ajuda.

Discussão: Os autores tiveram a necessidade de consensualizar um modelo de análise e apoio à abordagem de pessoas e situações, na complexidade de elementos e interações envolvidos na referida relação. Escolheram os modos de ver de cada pessoa e situação e o de si próprio como “ponto de partida”, que lhes surgisse como particularmente vulnerável para obter efeitos úteis na adequação de atitudes e de comportamentos, na interação com pessoas e situações.

Identificaram a necessidade de autovigilância e de aperfeiçoamento contínuos das suas competências, atitudes e habilidades pessoais e técnico-científicas. A atuação como recurso de apoio e ajuda ao “outro” requer uma autodisciplina cujas bases podem ser reforçadas durante o internato de MGF. A aquisição de hábitos e de habilidades de auto-perceção e autoconsciência de modos de ver, emoções, atitudes e gestos, são requisitos incontornáveis neste processo. O internato de MGF é um período decisivo para promover atitudes e comportamentos adequados, que tenderão a persistir ao longo de todo o percurso profissional.

 

Palavras-chave: Formação em MGF; autoconsciência; mudança atitudinal e comportamental;

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v35i3.12429

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