Incidência de amigdalite aguda na população sob observação pela rede «Médicos-Sentinela» no ano de 1998.

José Augusto Simões, Isabel Marinho Falcão, Carlos Matias Dias

Resumo



Objectivo: Pretendeu-se com este estudo, determinar a incidência de amigdalite aguda na população sob observação pela rede de «Médicos-Sentinela» no decorrer do ano de 1998.
Tipo de estudo: Estudo observacional, longitudinal e descritivo.
Local: Estudo realizado em Portugal, nos Centros de Saúde em que trabalham os médicos de Clínica Geral que pertencem à Rede «Médicos-Sentinela» e também no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge onde se realiza actualmente o registo e tratamento dos dados das notificações.
População: A população em estudo era constituída pelas pessoas inscritas nas listas de utentes dos médicos de Clínica Geral que colaboram na Rede «Médicos-Sentinela».
Métodos: Durante o ano de 1998 todos os casos novos de amigdalite aguda foram notificados pelos médicos participantes. As notificações incluíam referência aos sintomas e sinais mencionados na Classificação Internacional dos Problemas de Saúde em Cuidados Primários (CIPS-2 definida). Os dados serviram de base ao cálculo das taxas de incidência, e respectivos intervalos de 95% de confiança, de amigdalite aguda na população sob observação pelos médicos participantes. A comparação das taxas de incidência foi feita através de Qui-quadrado e de teste exacto de Fisher.
Resultados: 1.536 casos notificados (641 do sexo masculino e 895 do sexo feminino), provenientes de uma população sob observação de 138.221 utentes (65.716 homens e 72.505 mulheres). A taxa de incidência de amigdalite aguda registada foi de 1.111,3/105, sendo de 975,4/105 para o sexo masculino e de 1.234,4/105 para o sexo feminino. Os sintomas e sinais mais frequentes foram: a
«Dor de garganta» em 96% dos casos, a «Febre» em 92%, as «Amígdalas mais vermelhas do que a parede posterior da faringe» em 87,9%, as «Amígdalas aumentadas de volume» em 86%, o «Pús nas amígdalas» em 79,7% e os «Gânglios regionais aumentados de volume» em 54,9% dos casos. Fizeram antibioterapia 98,1% dos casos, tendo-a iniciado no 2o dia de febre 52,4%. O antibiótico mais prescrito foi a associação de Amoxicilina com Ácido clavulânico (25,8%) seguido pelas Penicilinas (23,2%), pela Amoxicilina isolada (17,5%) e pela Claritromicina (8,4%).
Conclusões: Este estudo permite estimar uma taxa de incidência de amigdalite aguda na população sob observação de 1.111,3/105, (975,4/105 no sexo masculino e 1.234,4/105 no sexo feminino). Foi possível notar que a existência de «pús nas amígdalas» parece estar associado a uma maior frequência de prescrição de antibiótico (99,4% nos casos com «pús»; 17,4% nos casos sem «pús»), o
que está de acordo com a prática corrente de tratar empiricamente com antibiótico a amigdalite aguda com exsudado amigdalino. Parece ser importante proceder a novo estudo sobre este assunto, com colheita de material para exame bacteriológico e virulógico, o que poderá vir a ser facilitado nos próximos anos, com a actual integração da Rede «Médicos-Sentinela» no Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

Palavras-chave


Amigdalite Aguda; Incidência; Médicos-Sentinela

Texto Completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v18i2.9869

Apontadores

  • Não há apontadores.


Copyright (c)