Avaliação dos doentes de cuidados primários: aspectos da clínica geral mais importantes para os doentes

Pedro Lopes Ferreira

Resumo



Objectivo: Documentar e comparar necessidades e quereres dos doentes relativamente aos cuidados primários nos países europeus e seleccionar indicadores de qualidade de cuidados a serem usados em futuro instrumento de avaliação.
Tipo de estudo: Estudo transversal de prioridades dos doentes em relação aos cuidados primários.
Local: Centros de Saúde das sub-regiões de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu.
População: Utentes de 12 Centros de Saúde com pelo menos 18 anos de idade e capazes de compreender a língua portuguesa sem dificuldade.
Metodologia: Inquérito por questionário anónimo. Um total de 290 utentes forneceram-nos as suas prioridades relativamente a 40 aspectos de cuidados, agrupados em cinco capítulos ou domínios de medição: cuidados médico-técnicos, relação médico-doente, informação/apoio, disponibilidade/acessibilidade e organização dos serviços.
Resultados: Os respondentes deste estudo são caracterizados por uma maioria de mulheres (63%), com uma média etária de 41 anos (±15 anos), casados (74%) e com um nível de escolaridade superior à média (23% com estudos superiores). Além disso, foi encontrada uma percentagem relativamente alta de doentes com enxaquecas ou outras dores de cabeça crónicas e fortes (26%),
hipertensão arterial (17%) e depressão (17%). Apenas 16% afirmaram que o seu estado de saúde era óptimo ou muito bom. Em relação aos vários aspectos de cuidados, os resultados mostram que os doentes dos cuidados primários consideram mais importante as acções preventivas e de aconselhamento, uma relação com o médico caracterizada pelo à vontade do doente para contar os problemas
e pela necessidade de sentir que há interesse nele, que pode ser esclarecido sobre tudo o que queira saber, incluindo os objectivos dos exames e tratamentos, e que existe tempo suficiente para ouvir, falar e ser esclarecido. Para além disso, o médico deverá fornecer um serviço rápido em caso de urgência e estar disposto a vigiar regularmente a saúde do doente.
Conclusões: Os resultados encontrados representam as prioridades dos utentes dos centros de saúde. Verificou-se que estas prioridades são influenciadas por vários factores incluindo a idade e o nível de escolaridade, o que nos permite explicar alguma variação nos resultados. A utilidade destes resultados pode evidenciar-se em duas vertentes: funcionam como ponto de partida para a interpretação dos resultados dos inquéritos de satisfação e, por outro lado, são um bom indicador para, independentemente da satisfação, avaliar a participação e o envolvimento do cidadão face aos serviços de prestação de cuidados.

Palavras-chave


Pioridades dos Doentes; Medicina Geral e Familiar; Avaliação da Qualidade

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v17i1.9821

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