Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf <p>A Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar é um órgão oficial da Associação Portuguesa de Medicina Geral Familiar. Visa contribuir para o desenvolvimento da especialidade de Medicina Geral e Familiar e dos Cuidados de Saúde Primários, através de uma publicação científica isenta, rigorosa e atual.</p> <p>É publicada desde 1984 com uma periodicidade bimestral.</p> Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar pt-PT Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar 2182-5181 <p>Os autores concedem à RPMGF o direito exclusivo de publicar e distribuir em suporte físico, electrónico, por meio de radiodifusão ou em outros suportes que venham a existir o conteúdo do manuscrito identificado nesta declaração. Concedem ainda à RPMGF o direito a utilizar e explorar o presente manuscrito, nomeadamente para ceder, vender ou licenciar o seu conteúdo. Esta autorização é permanente e vigora a partir do momento em que o manuscrito é submetido, tem a duração máxima permitida pela legislação portuguesa ou internacional aplicável e é de âmbito mundial. Os autores declaram ainda que esta cedência é feita a título gratuito. Caso a RPMGF comunique aos autores que decidiu não publicar o seu manuscrito, a cedência exclusiva de direitos cessa de imediato.</p> <p>Os autores autorizam a RPMGF (ou uma entidade por esta designada) a actuar em seu nome quando esta considerar que existe violação dos direitos de autor.</p> <p> </p> Qualidade de vida em doentes com insuficiência cardíaca no Centro de Portugal https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13711 <p><strong>Objetivo</strong>: Avaliar e comparar a qualidade de vida (QdV) genérica e específica de doentes sofrendo de insuficiência cardíaca (DIC) e verificar a sua relação com elementos sociodemográficos e de morbilidade.</p> <p><strong>Métodos</strong>: Estudo observacional transversal em amostra de conveniência de DIC, em 2022, aplicando o <em>Euro Quality of Life Instrument</em> – 5D (EQ5D-3l) e o <em>Kansas City Cardiomyopathy Questionnaire</em> (KCCQ) e perguntas de contexto sociodemográfico e de morbilidade, em dias selecionados, em autopreenchimento com ajuda de investigador, se solicitado, em ambiente de medicina geral e familiar. A QdV genérica foi tratada de acordo com a norma para a população portuguesa e a específica para DIC segundo a mediana.</p> <p><strong>Resultados</strong>: Em amostra de 50 DIC, 29 (58,0%) eram mulheres; a idade média foi de 74,1±8,9 anos. O sexo feminino tinha menor nível de instrução (<em>p</em>=0,019). Para 20 DIC (40,0%) havia desconhecimento de ser DIC, em ambos os sexos. Verificou-se moderada e significativa correlação entre o <em>score</em> EQ-5D-3L e o domínio específico da QdV de KCCQ (<em>ρ</em>=0,452; <em>p</em>=0,001) e entre o <em>score</em> EQ-5D-3L e o KCCQ <em>Overall Summary Scale</em> (<em>ρ</em>=0,556; <em>p</em>&lt;0,001). A distribuição por sexos das classes arbitrárias KCCQ e da distribuição EQ-5D-3l pela norma portuguesa foi não significativa, tendo a mulher sempre pior QdV.</p> <p><strong>Discussão</strong>: O uso periódico de instrumentos que avaliam as consequências em saúde da terapêutica em DICs pode transformar o paradigma atual da terapêutica da insuficiência cardíaca (IC), sendo um deles a QdV, estando os médicos atentos a variáveis pessoais e sociais.</p> <p><strong>Conclusão</strong>: Nesta amostra de 50 DICs, 70,0% apresentou má QdV genérica e 50,0% má QdV específica na IC, com piores resultados no sexo feminino.</p> Luiz Miguel Santiago João Vitor Fernandes João Pestana Raul Garcia Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 210 8 10.32385/rpmgf.v40i3.13711 Qualidade do seguimento de doentes com síndroma de apneia obstrutiva do sono numa unidade de saúde familiar: estudo pré-pós intervenção https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13547 <p><strong>Introdução</strong>: Os doentes com síndroma de apneia obstrutiva do sono (SAOS) sob ventiloterapia, após alta da consulta hospitalar, devem manter o seguimento nos cuidados de saúde primários, para monitorização terapêutica.</p> <p><strong>Objetivos</strong>: Melhorar o seguimento de doentes com SAOS sob ventiloterapia e sem acompanhamento hospitalar, numa Unidade de Saúde Familiar (USF). <em>Outcome</em> secundário: avaliação do número de referenciações hospitalares por terapêutica ineficaz/baixa adesão.</p> <p><strong>Métodos</strong>: Estudo quasi-experimental, pré-pós intervenção, numa USF. Foram identificados doentes com diagnóstico de Perturbação do Sono (P06 – ICPC2), com SAOS, sob ventiloterapia, sem seguimento em consulta hospitalar. Analisados os dados do processo clínico relativos a interpretação de relatório de ventiloterapia, realização de consulta de seguimento e referenciação hospitalar. A primeira avaliação incidiu sobre o período entre janeiro e dezembro/2019. Posteriormente foram realizadas sessões formativas, com envolvimento da equipa multiprofissional. Desenvolvido procedimento de atuação para otimizar o pedido de relatórios por parte da equipa administrativa. Fornecido material auxiliar de memória e criada pasta informática com guião de seguimento de utentes, documento modelo para solicitação de relatório e panfleto sobre SAOS. A segunda avaliação incidiu sobre janeiro e dezembro/2021. Foram estabelecidas as seguintes metas, após discussão em reunião médica: taxa de consultas de seguimento ≥20%; taxa de interpretação de relatórios de ventiloterapia ≥20%.</p> <p><strong>Resultados</strong>: Na primeira avaliação não se verificou a realização de consultas de seguimento de SAOS na USF. Em 2021 atingiu-se uma taxa de interpretação de relatórios de ventiloterapia de 25,47%, uma taxa de consultas de seguimento de 15,09% e foram realizadas cinco referenciações hospitalares por terapêutica inadequada.</p> <p><strong>Conclusões</strong>: Apesar da meta definida para consultas de seguimento não ter sido atingida, este estudo promoveu o envolvimento de toda a equipa multiprofissional e a implementação de uma estratégia simples de acompanhamento e otimização terapêutica de doentes com SAOS na USF.</p> Ana Aveiro Beatriz Nunes Graça Ana Margarida Santos Tiago Pereira Soraia Ribeiro Carla Silva Carlos Seiça Cardoso Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 222 8 10.32385/rpmgf.v40i3.13547 A evolução da citação na Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar: o dever continua https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13508 <p><strong>Introdução: </strong>A <em>Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar</em> (RPMGF) tem acompanhado a evolução da medicina geral e familiar (MGF) em Portugal. A avaliação do seu impacto verifica os artigos e seus autores quanto a referências bibliográficas, sua distribuição geográfica, número de citações de artigos já publicados na RPMGF e avalia a citação de outros artigos nacionais, bem como o tempo entre submissão e aceitação para publicação, comparando com números anteriores da RPMGF.</p> <p><strong>Métodos:</strong> Estudo observacional, transversal, das citações dos artigos publicados entre 2016 e 2021 (ambos inclusive), analisando todos os artigos quanto a tipo, número, qualidade e origem geográfica dos autores, número total de referências bibliográficas de artigos já publicados na RPMGF e em Portugal, bem como o tempo entre submissão e edição.</p> <p><strong>Resultados: </strong>Analisaram-se 409 artigos, 45,6% de autores da ARS Norte. Para 68,4% houve envolvimento de um especialista de MGF e para 62,7% um interno como autor, sendo 24,8% de autores externos à MGF. O tempo médio de edição foi de 357 dias. A média de referências totais foi de 17,25, de artigos publicados em Portugal de 4,09 e de artigos publicados na RPMGF de 2,20. Verificou-se dinâmica de crescimento de +13,8 (na média de referências portuguesas) e de +32,1 (na média de referências totais) e de 0,0 para as referências da RPMGF.</p> <p><strong>Discussão e Conclusões: </strong>A distribuição geográfica dos autores poderá ser um reflexo de realidades formativas diferentes. O tempo de edição parece ser longo para queles que precisam de publicação em tempo curto, o que será fator de não submissão. Os valores de citação mantém-se baixos quanto a referências da RPMGF com dinâmica de crescimento nula. A RPMGF deverá considerar alternativas táticas que levem ao aumento da sua citação em novos trabalhos submetidos.</p> Andreia Morgado António Miguel da Cruz Ferreira Luiz Miguel Santiago Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 230 8 10.32385/rpmgf.v40i3.13508 Vacinação em crianças e adolescentes: retrato das práticas atuais https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13541 <p><strong>Introdução: </strong>O cumprimento do Programa Nacional de Vacinação associa-se a ganhos em saúde pública. A atualização dos que trabalham na área da vacinação deve ser uma preocupação dos serviços de saúde.</p> <p><strong>Objetivos:</strong> Avaliar o conhecimento sobre as falsas contraindicações à vacinação pediátrica e caracterizar práticas de aconselhamento, comparando os resultados em função da categoria profissional, da atividade clínica, dos anos de carreira e do local de trabalho.</p> <p><strong>Métodos:</strong> Estudo quantitativo, transversal, descritivo e correlacional, aprovado por comissão de ética. Dados recolhidos em questionário <em>online</em> anónimo, validado, com questões relativas a contraindicações à vacinação expressas no Programa Nacional de Vacinação e outras variáveis sociodemográficas, como a categoria profissional: M (médicos), E (enfermeiros); atividade clínica: PA (prescreve/administra vacinas em idade pediátrica), NPA (não prescreve/não administra); anos de carreira: A1 (&lt;20), A2 (≥20); local de trabalho: CSP (cuidados de saúde primários), H (hospital/clínica privada). Análise estatística em SPSSÒ, <em>α</em>=0,05.</p> <p><strong>Resultados: </strong>Obtiveram-se 430 respostas (56% E, 59% PA, 74% A2, 63% CSP). Os E e o grupo A2 consideram mais frequentemente a doença aguda ligeira (<em>p</em>&lt;0,001) ou antecedentes de doença para a qual a criança será vacinada (<em>p</em>=0,02; <em>p</em>=0,004, respetivamente) contraindicações à vacinação versus M e A1. A doença aguda ligeira e a convalescença de doença são consideradas contraindicações por 43% PA <em>vs</em> 62% NPA (<em>p</em>&lt;0,001) e 57% PA <em>vs</em> 71% NPA (<em>p</em>=0,004), respetivamente. Nos CSP 58% desaconselha a vacinação em caso de doença aguda ligeira <em>vs</em> 38% H (<em>p</em>&lt;0,001), assim como em caso de terapêutica antibiótica concomitante (60% CSP <em>vs</em> 36% H, <em>p</em>&lt;0,001). No entanto, reconhecem mais frequentemente o intervalo a respeitar entre a administração de vacinas inativadas (72% CSP <em>vs</em> 61% H, <em>p</em>=0,018).</p> <p><strong>Conclusão:</strong> Globalmente, os profissionais pertencentes a M, A1, PA e CSP mostraram-se mais conhecedores das verdadeiras contraindicações à vacinação. Os resultados demonstram a necessidade de formação nesta área.</p> Patrícia Miranda Pedro Gaspar Rui Passadouro Pascoal Moleiro Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 240 58 10.32385/rpmgf.v40i3.13541 Avaliação da qualidade de relação médico-doente no Nordeste Transmontano https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13490 <p><strong>Introdução</strong>: O médico de família desenvolve uma abordagem centrada na pessoa, orientada para o indivíduo, a família e a comunidade em que se insere, sendo a empatia a chave-mestra desta relação.</p> <p><strong>Objetivos</strong>: Compreender a relação médico-doente no contexto dos cuidados de saúde primários (CSP) do Nordeste Transmontano.</p> <p><strong>Métodos</strong>: Foi realizado um estudo descritivo com uma amostra de utentes de CSP. Os dados demográficos (sexo biológico – classificação binária, idade, concelho de residência e escolaridade), perguntas acerca da perceção dos CSP e a aplicação da Escala de Empatia de Jefferson (JSPPPE-VP) foram recolhidos através de uma plataforma <em>online</em>, recorrendo à divulgação pelas redes sociais, e em formato físico nos CSP da Unidade Local de Saúde do Nordeste. A análise estatística descritiva foi realizada com recurso ao <em>software </em>IBM SPSS®<em> Statistics</em>.</p> <p><strong>Resultados</strong>: A amostra incluiu 584 indivíduos (idade mediana: 45 anos), maioritariamente mulheres (67,47%), com um nível de escolaridade não graduado (57,71%). A maioria dos inquiridos (75,51%) revela que o seu médico de família é a primeira pessoa a quem recorrem quando têm um problema de saúde, considerando que este tem as capacidades necessárias para a melhor orientação dos seus problemas de saúde (69,52%). Relativamente à acessibilidade, 61,30% e 60,96% considera, respetivamente, que o acesso à marcação de consulta e esclarecimento de dúvidas pontuais é fácil. Dos inquiridos, 22,95% discorda do tempo médio de consulta praticado (20 minutos), defendendo uma duração de 30 minutos. Quando aplicada a JSPPPE-VP, cerca de 50,00% dos indivíduos responderam que estão bastante ou totalmente de acordo com as afirmações que se encontram ao longo de toda a escala.</p> <p><strong>Conclusões</strong>: A amostra obtida revela uma satisfação global relativamente à prestação, acessibilidade e qualidade dos serviços, bem como à duração da consulta. Além disso, pode-se concluir que existe uma elevada satisfação com a empatia do médico de família.</p> Joana Gomes da Silva Ana Sofia Rodrigues Bárbara Alexandre Fátima Monteiro Karolina Mohosh Sara Carlos Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 259 67 10.32385/rpmgf.v40i3.13490 Italy-Portugal collaboration: singularization to embrace diversity https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/14070 <p>.</p> Ardigò Martino André Biscaia Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 206 7 10.32385/rpmgf.v40i3.14070 Relação médico-doente: principais obstáculos e como superá-los https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13891 <p>Existem várias barreiras ao desenvolvimento de uma boa relação médico-doente (RMD). Objetivou-se rever e sumarizar a literatura sobre barreiras à boa RMD e discutir possíveis vias de superação. Realizou-se uma revisão narrativa da literatura, pesquisando <em>online</em> a PubMed, o RCAAP e todos os repositórios das faculdades médicas portuguesas, obtendo-se 917 artigos, sendo selecionados 156 artigos por leitura de título e resumo e, destes, 67 para a realização do trabalho após leitura integral. As barreiras à RMD podem dividir-se em relacionadas com o médico, com o doente, com ambos ou com fatores externos. É possível intervir em várias através da formação de estudantes e de médicos em comunicação e empatia, nos doentes investindo em literacia em saúde e, para as organizações em que trabalham, na melhoria das condições organizacionais e processuais em que e com que as consultas ocorrem. É necessária mais investigação quantitativa e qualitativa que permita reforçar a evidência científica e noções empíricas sobre a RMD e formas de a potenciar.</p> Luiz Miguel Santiago Carolina Gomes Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 268 84 10.32385/rpmgf.v40i3.13891 Insuficiência cardíaca: a benéfica união entre os cuidados de saúde primários e secundários https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/14076 <p>x</p> Mafalda Neves Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 317 8 10.32385/rpmgf.v40i3.14076 Complicações micro e macrovasculares e farmacoterapia da diabetes mellitus: um relato de caso https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13539 <p><strong>Introdução:</strong> As complicações micro e macrovasculares da diabetes são resultado de um processo de caráter longo sobre a falta dos cuidados da diabetes, de que resultam problemas cardiovasculares, oftalmológicos e neuropáticos, requerendo por essas questões elevada atenção no tratamento.</p> <p><strong>Descrição do caso: </strong>Apresenta-se o relato de caso de um paciente adulto de meia-idade, ex-fumador, com diagnóstico de diabetes mellitus, além da hipertensão e obesidade. A sua alimentação não saudável ao longo dos anos, sedentarismo e altos níveis de estresse resultou num quadro de isquemia vascular periférica, que intensificou as complicações da diabetes, ou seja, problemas micro e macrovasculares, entre eles, a retinopatia e a neuropatia. Por esse histórico, a farmacoterapia do paciente resultou entre as insulinas (regular e NPH), antiagregante plaquetátio, estatina, fibratos, psicotrópicos e os anti-hipertensores. Além disso, detetou-se que seus níveis glicémicos e hemoglobina glicada estão elevados. Ainda se verificaram alterações na lipoproteína de alta densidade (HDL) e triglicéridos. Algumas queixas do paciente no período noturno, como boca seca, tontura e sonolência, são problemas que podem estar relacionados com a terapia concomitante de venlafaxina, gabapentina e amitriptilina.</p> <p><strong>Comentários: </strong>De forma geral, recomenda-se a este paciente a prática de exercício físico, como caminhada, por exemplo, diminuição do consumo de hidratos de carbono e sódio, além de algumas alterações na farmacoterapia do paciente.</p> Gabriel Silvério de Souza Daniela Frizon Alfieri Telma Regina Fares Gianjacomo Edmarlon Girotto Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 285 93 10.32385/rpmgf.v40i3.13539 Uma causa incomum de acidente vascular cerebral isquémico em idade jovem: um relato de caso https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13498 <p><strong>Introdução</strong>: O acidente vascular cerebral é a principal causa de morte e incapacidade em Portugal. Os tumores cardíacos primários são raros, a maioria é benigna e o mixoma auricular é o mais comum de todos. Este tipo de tumor é mais frequente em mulheres jovens e tem apresentação clínica variável, dependendo da localização, tamanho e mobilidade da massa, podendo condicionar fenómenos cardioembólicos, como o acidente vascular cerebral. O tratamento é cirúrgico e, se detetado precocemente, o prognóstico pode ser favorável.</p> <p><strong>Descrição do caso</strong>: Descreve-se o caso de uma mulher de 37 anos, com antecedentes de acidente vascular cerebral isquémico considerado idiopático aos 22 anos, com quadro de hemi-hipostesia esquerda, alterações da visão, diminuição da força muscular do membro superior esquerdo e alterações na marcha, com evidência de lesão isquémica tálamo-capsular direita na tomografia computorizada e ressonância magnética crânio-encefálica. No ecocardiograma transtorácico identificou-se uma massa auricular esquerda sugestiva de mixoma, que foi confirmada por ecocardiograma transesofágico e submetida à resseção cirúrgica e confirmação histológica.</p> <p><strong>Comentário</strong>: Na suspeita de uma causa cardiogénica, o ecocardiograma deve ser prontamente realizado. O tumor cardíaco do tipo mixoma tem uma indicação de tratamento específico que é a resseção cirúrgica, com baixo risco de recorrência de evento cerebrovascular no <em>follow-up</em>. Este caso realça a importância do estudo complementar no acidente vascular cerebral. Por outro lado, o caso também demonstra a importância da articulação que deve existir entre os cuidados de saúde primários e secundários, particularmente com a cardiologia, para a deteção e gestão de patologias como o mixoma auricular e o acidente vascular cerebral isquémico.</p> Sofia Mendes Luísa Gonçalves Nancy Oliveira Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 294 9 10.32385/rpmgf.v40i3.13498 Aborto espontâneo e luto gestacional – Valorizar e gerir: um relato de caso https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13450 <p><strong>Introdução</strong>: O aborto espontâneo é muito comum e o seu impacto nas famílias, na sociedade e nos serviços de saúde é comprovado, mas subestimado. Este relato de caso pretende realçar a importância do acompanhamento após um aborto espontâneo, no luto, nos sintomas psicológicos associados à perda gestacional e na orientação holística do casal.</p> <p><strong>Descrição do caso</strong>: Mulher de 37 anos, natural do Nepal, engravida espontaneamente após múltiplas tentativas sem sucesso. Sofre um aborto espontâneo às 10 semanas de gestação e é avaliada pela sua equipa de família, manifestando sentimentos de tristeza, solidão, ansiedade e medo, e desorientação face aos cuidados necessários. O acompanhamento centrou-se no esclarecimento de dúvidas e mitos, no reconhecimento dos sentimentos do casal, na exploração das formas de expressão do luto na cultura de origem, nos ensinos para estimular mudanças de comportamentos e na capacitação para o planeamento de uma nova gravidez.</p> <p><strong>Comentário</strong>: Não existem intervenções farmacológicas eficazes para prevenir o aborto espontâneo; contudo, é uma oportunidade para intervir na adoção de hábitos de vida mais saudáveis. Apesar de frequentes, as consequências psicológicas e a psicopatologia associadas ao aborto espontâneo são muitas vezes esquecidas. A experiência do luto é individual e não se baseia necessariamente na idade gestacional, no nível socioeconómico ou educacional, ou no número de perdas ou de filhos vivos. Lidar com este caso exige à medicina geral e familiar avaliar a gestão do luto e o bem-estar físico e mental, despistando psicopatologia e acompanhando o planeamento de uma gravidez futura, atuando em cuidados transculturais e na dimensão social e familiar de cada um.</p> Arianna Borelli Inês Machado Filipa Piedade Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 300 5 10.32385/rpmgf.v40i3.13450 Papel do médico de família no diagnóstico e acompanhamento da paralisia supranuclear progressiva: um relato de caso https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13314 <p><strong>Introdução: </strong>A paralisia supranuclear progressiva (PSP) é uma doença neurodegenerativa, cuja prevalência é de 2-7casos/100.000 indivíduos. No entanto, dado o desafio diagnóstico, prevê-se que estes dados estejam subestimados e que muitos doentes não cheguem a ser diagnosticados.</p> <p><strong>Descrição do caso: </strong>Mulher de 69 anos, com hipertensão arterial e hipotiroidismo controlados, recorreu em dezembro/2018 a consulta aberta na sua USF por se sentir triste, com choro fácil e com falta de iniciativa associado a episódios de ansiedade. Pela presunção do diagnóstico de depressão iniciou sertralina. Em janeiro/2019, em consulta programada, o seu MF detetou um discurso pouco fluente e lentificação psicomotora, facto que a doente não reconhecia como um problema. Após exclusão de causas identificáveis e reversíveis que justificassem o quadro clínico decidiu-se fazer uma referenciação aos cuidados de saúde hospitalares de neurologia. Em março, em neurologia, foi identificada a presença de disartria e de reflexos osteotendinosos ligeiramente vivos, interpretados em provável contexto de uma doença neuromuscular, que foi posteriormente descartada pela eletromiografia, ressonância magnética cerebral e estudo analítico normais. Em junho, a doente acrescentava dificuldades executivas e de escrita e destacava-se a presença de apraxia e disfunção frontal, pelo que se colocou em hipótese a presença de uma doença neurodegenerativa, identificada como possível afasia progressiva primária por uma avaliação neuropsicológica. No entanto, em janeiro/2020 verificou-se um agravamento dos sintomas prévios, foi descrita a presença de quedas ocasionais não provocadas e identificou-se uma discreta limitação do olhar vertical superior que se associou finalmente ao diagnóstico definitivo de PSP. Atualmente a doente é seguida pelo seu MF no que respeita ao seu tratamento paliativo e apoio psicológico à doente e respetiva família.</p> <p><strong>Comentário: </strong>O MF é responsável pela prestação de cuidados continuados longitudinalmente ao doente, assim como pela gestão da doença que se apresenta de forma indiferenciada numa fase precoce da sua história natural, características que colocam o MF numa posição privilegiada para diagnosticar, acompanhar, intervir e referenciar nas situações como a que é apresentada no presente caso clínico.</p> Sara Leite Antonieta Barbosa Carla Cardoso Catarina Santos Helena Milheiro Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 306 12 10.32385/rpmgf.v40i3.13314 Perfil do orientador de formação: critérios de seleção (workshop) https://rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/view/13906 <p>O crescente número de orientadores de internato médico em MGF aumenta a capacidade formativa, o que não é acompanhado pela maior colocação de médicos internos na maioria dos locais. Assim, torna-se necessário estabelecer localmente critérios de seleção que garantam justiça e transparência no processo de atribuição de vagas para a colocação de novos internos. Com o objetivo de debater o tema entre orientadores realizou-se um workshop no Open Day do Orientador da ARSLVT, em maio de 2023. Convidados a selecionar as características que mais valorizavam, a partir de um processo de reflexão conjunta e metodologias participativas, os participantes sugeriram alguns sistemas mais objetivos de seriação de critérios aplicáveis ao orientador, à unidade e à equipa que o acolhe. Concluiu-se ser difícil a elaboração de critérios consensuais, uma vez que a valorização dos mesmos é subjetiva e decorre de experiências pessoais prévias e da realidade local.</p> Ana Cristina dos Santos Ferreira Marta Marquês Joana Oliveira Direitos de Autor (c) 2024 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0 2024-07-08 2024-07-08 40 3 313 6 10.32385/rpmgf.v40i3.13906