Vaginite por MRSA: um caso clínico de desafio diagnóstico e terapêutico

Autores/as

  • Beatriz Câmara Médica Assistente de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel. Ponta Delgada, Açores, Portugal.
  • Carmen Comino Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF das Conchas, ULS Santa Maria. Lisboa, Portugal.
  • Ana Ventura Médica Assistente de Medicina Geral e Familiar. Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel. Ponta Delgada, Açores, Portugal.
  • Ana Magalhães Médica Assistente Graduada de Medicina Geral e Familiar. USF das Conchas, ULS Santa Maria. Lisboa, Portugal.

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i6.14151

Palabras clave:

MRSA, Staphlylococcus aureus, Vaginite, Vulvovaginite, Relato de caso

Resumen

Introdução: A vaginite, uma infeção vaginal comumente associada a bactérias, fungos ou vírus, apresenta desafios crescentes devido à colonização por patógenos multirresistentes, como o Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA).

Descrição do caso: Mulher de 18 anos, sem antecedentes pessoais de relevo, com quadro de ardor e dor genital associados a prurido, eritema e sensação de ferida vulvar, foi observada no serviço de urgência e medicada para candidíase. Por manutenção das queixas procura o seu médico de família para reavaliação e, após observação ginecológica, é medicada com comprimidos vaginais de ácido bórico para candidíase vaginal complicada. Por questões económicas, a utente não realizou a terapêutica e na consulta de reavaliação mantinha as queixas iniciais. Foi então feita a análise do exsudado vaginal, que revelou infeção por MRSA, que resolveu com a toma de trimetoprim/sulfametoxazol.

Comentário: Este caso clínico ilustra a complexidade do diagnóstico da vaginite por MRSA, uma infeção rara que pode ser confundida com causas mais comuns de vulvovaginite, levando a um atraso no tratamento adequado. Destaca-se a importância de considerar hipóteses diagnósticas menos frequentes em casos de refratariedade terapêutica, reforçando o papel crucial dos exames microbiológicos na identificação do agente causal e na orientação da terapêutica. Além disso, o estudo realça a necessidade de uma abordagem médica rigorosa, incluindo a educação dos pacientes sobre sinais de alarme e a relevância das consultas de reavaliação. O artigo evidencia o impacto da continuidade de cuidados na medicina geral e familiar e sublinha a escassez de literatura sobre esta patologia, enfatizando o valor da publicação de casos clínicos para o avanço do conhecimento médico.

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Publicado

2026-01-07

Cómo citar

Vaginite por MRSA: um caso clínico de desafio diagnóstico e terapêutico. (2026). Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 41(6), 527-32. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i6.14151

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