Doença hepática não alcoólica: abordagem nos cuidados de saúde primários

Autores

  • Dina Campos Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Gualtar, ULS de Braga. Braga, Portugal.
  • Liliana Lobo Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Gualtar, ULS de Braga. Braga, Portugal.

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i5.13828

Palavras-chave:

Doença hepática não alcoólica, Doença hepática metabólica, Esteatose hepática, Cuidados de saúde primários

Resumo

Introdução: A doença hepática não alcoólica (DHNA) está rapidamente a tornar-se uma epidemia do mundo desenvolvido. Embora a sua patogénese não seja totalmente conhecida destacam-se como principais fatores de risco a obesidade e a diabetes mellitus tipo 2.

Objetivos: Revisão de conceitos relativos ao espectro de DHNA, sua epidemiologia e história natural. Análise das recomendações relativamente a indicações de rastreio, meios diagnósticos e de aferição não invasiva do grau de fibrose, bem como orientações de seguimento e tratamento de doentes com esta patologia, indo ao encontro da realidade dos cuidados de saúde primários (CSP).

Métodos: Pesquisa de artigos científicos em plataformas online de medicina baseada na evidência, utilizando as palavras-chave Nonalcoholic Fatty Liver Disease e Primary Health Care. A pesquisa foi conduzida em fevereiro/2023, tendo sido incluídos artigos publicados a partir do ano de 2019. A seleção foi feita com base no título, conteúdo do resumo e data de publicação. Adicionalmente foram consultadas as guidelines das principais sociedades científicas internacionais de abordagem da DHNA.

Resultados: A DHNA engloba um espectro vasto de doença, cuja progressão não é linear, mas potencialmente dinâmica. Com uma prevalência que ronda os 25% isoladamente, e que aumenta consideravelmente perante determinados fatores de risco, constitui atualmente a principal causa de doença hepática crónica. Ainda que a principal causa de morte sejam as doenças cardiovasculares, a fibrose hepática avançada é um marcador prognóstico no que diz respeito a outcomes hepáticos e mortalidade, encontrando-se validados scores não invasivos de avaliação de risco de fibrose. Além de poderem ser utilizados na avaliação inicial e monitorização dos doentes no âmbito dos CSP permitem ainda identificar quais beneficiarão de referenciação hospitalar.

Conclusão: Os CSP são a linha da frente na prevenção, identificação, avaliação e monitorização de indivíduos com DHNA e suas comorbilidades. O seu diagnóstico precoce, com determinação de risco de fibrose, é crítico na prevenção da progressão da doença e melhoria dos outcomes.

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Publicado

03-11-2025

Como Citar

Doença hepática não alcoólica: abordagem nos cuidados de saúde primários. (2025). Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 41(5), 432-40. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i5.13828

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