GDCCSP: a reformulação do APGAR Familiar de Smilkstein
DOI:
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i6.13976Palavras-chave:
APGAR Familiar, Dinâmica familiar, Funcionalidade familiar, AvaliaçãoResumo
Introdução: A avaliação da funcionalidade familiar é inerente à prática da medicina geral e familiar.
Objetivos: Rever o APGAR Familiar, criando e testando uma escala alternativa e percebendo a sua sensibilidade na deteção da funcionalidade familiar.
Métodos: Estudo quali-quantitativo, entrevistas iniciais para conhecimento de limitações e assuntos não abordados no APGAR Familiar. Elaboração de nova escala, GDCCSP, sabendo dificuldades de compreensão, agradabilidade, tempo de aplicação e legibilidade. Validação convergente com APGAR Familiar e escala numérica de autoavaliação com a funcionalidade familiar, por análise fatorial, estudo correlacional e análise com variáveis de contexto.
Resultados: Entrevistadas 53 pessoas (n=15 maiores de 65 anos e 54,7% do sexo feminino), verificou-se para 43,2% dificuldades de compreensão e de resposta e 38,0% referindo problemas familiares não abordados pelo APGAR de Smilkstein, como gestão financeira, dedicação, comunicação, crise, saúde e participação. A correlação APGAR/GDCCSP em 55 pessoas, 55,6% mulheres, verificou um r=0,643, p<0,001. Na análise fatorial da GDCCSP, dois componentes explicaram 52,72% da variância das respostas, a confiabilidade foi 0,712 (alfa de Cronbach) e correlação com a funcionalidade familiar de r=0,574, p<0,001. O APGAR Familiar teve consistência interna de 0,706 (alfa de Cronbach) e correlação com a avaliação da funcionalidade familiar de r=0,432, p<0,001. O somatório GDCCSP não variou significativamente segundo sexo, idade, e índice socioeconómico.
Discussão: A reflexão sobre a avaliação da funcionalidade familiar deve ser regular para acolhimento de variações evolutivas sociais.
Conclusão: Foi possível criar e realizar a validação da escala GDCCSP para avaliar a funcionalidade familiar.
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