Análise do risco cardiovascular: comparação entre SCORE e SCORE2 – a realidade de uma Unidade de Saúde Familiar
DOI:
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v42i1.14158Palavras-chave:
Fatores de risco para doença cardíaca, Doenças cardiovasculares, Prevenção primáriaResumo
Introdução: O cálculo do risco cardiovascular é essencial para determinar o nível e intensidade de intervenção, com vista a reduzir o aparecimento de eventos cardiovasculares adversos. Nesse sentido, foi implementado na Europa o método de avaliação de risco Systematic Coronary Risk Evaluation (SCORE). Em 2021 foi lançado o algoritmo SCORE2, considerado um modelo de risco mais preciso. Contudo, o SCORE continua a ser utilizado no software dos cuidados de saúde primários em Portugal.
Objetivos: Determinar se existem diferenças entre o SCORE e o SCORE2 na avaliação e abordagem do risco cardiovascular.
Métodos: Estudo transversal e retrospetivo, que incluiu 299 utentes de uma Unidade de Saúde Familiar (USF) da região Centro com idades compreendidas entre os 40 e 65 anos sem doença cardiovascular prévia. Calculou-se o risco cardiovascular utilizando o SCORE e o SCORE2. As variáveis em estudo foram analisadas utilizando o software SPSS®.
Resultados: Do grupo de risco «Baixo a Moderado», segundo o SCORE, 62,54% (n=182) mantiveram-se no mesmo grupo no SCORE2, enquanto 33,33% (n=97) foram reclassificados em «Alto Risco» e 4,12% (n=12) em «Muito Alto Risco». Relativamente ao grupo de «Alto Risco», de acordo com o SCORE, 28,57% (n=2) mantiveram-se no mesmo grupo e 71,42% (n=5) foram reclassificados em «Muito Alto Risco». Nenhum utente transitou para um grupo de risco inferior. Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas na distribuição dos grupos de risco obtidos com as diferentes calculadoras (p<0,001). Segundo os grupos e alvos estabelecidos pelo SCORE, 37,1% (n=111) cumpriram o valor alvo de LDL, em contraste com o SCORE2, onde apenas 22,1% (n=66) cumpriram o alvo; sendo a diferença estatisticamente significativa (p<0,001).
Conclusões: Verificou-se que a utilização do SCORE2, em comparação com o SCORE, resultou numa proporção significativamente maior de utentes classificados numa categoria de risco superior, com implicações na terapêutica adequada.
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