Melhoria contínua da qualidade da vacinação pneumocócica em grupos de risco

Autores

  • Carolina Pais Neto Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Novo Norte, ULS Entre Douro e Vouga. Arouca, Portugal.
  • Bárbara Duarte Ferreira Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Novo Norte, ULS Entre Douro e Vouga. Arouca, Portugal.
  • Carla Almeida Médica Especialista em Medicina Geral e Familiar. USF Novo Norte, ULS Entre Douro e Vouga. Arouca, Portugal.

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v42i1.14186

Palavras-chave:

Vacina pneumocócica, Doença pneumocócica, Vacinação, Cuidados de saúde primários, Melhoria da qualidade

Resumo

Introdução: A doença pneumocócica é uma importante causa de morbimortalidade potencialmente prevenível através da vacinação. Embora amplamente instituída na população pediátrica, a vacinação pneumocócica permanece subutilizada em adultos pertencentes a grupos de risco acrescido para doença invasiva pneumocócica (DIP).

Objetivos: Avaliar e melhorar o perfil de vacinação pneumocócica em grupos de risco, numa unidade de saúde familiar (USF) portuguesa.

Métodos: Estudo quase-experimental, com avaliação pré e pós-intervenção, numa USF do Norte de Portugal. A população alvo foi definida mediante idade ≥65 anos ou diagnóstico codificado pelo ICPC-2 correspondente a grupo de risco para DIP, de acordo com a respetiva norma de orientação clínica. A primeira avaliação decorreu em julho/2023, através da análise do perfil de vacinação de uma amostra representativa. O período de intervenção de seis meses incluiu uma sessão clínica dirigida à equipa multidisciplinar, material de apoio à consulta, momento de autorreflexão e aplicação de estratégias de recomendação oportunística da vacinação. A segunda avaliação decorreu em maio/2024. Definiu-se como critérios de qualidade para a taxa de vacinação pneumocócica: insuficiente se <15%, suficiente se 15-25%, bom se 25-50%, muito bom se 50-75% e excelente se >75%.

Resultados: Inicialmente verificou-se uma taxa de vacinação pneumocócica de 24,6% (padrão de qualidade suficiente), variável entre grupos de risco para DIP. Na segunda avaliação atingiu-se uma taxa de vacinação de 29,6% (padrão de qualidade bom), sendo 23,2% prescrita e administrada no período de intervenção, com adesão de 100%.

Conclusão: Apesar da melhoria do padrão de qualidade da vacinação será necessário alargar o período de intervenção e refletir sobre os determinantes da prescrição e adesão vacinal relacionados com o médico e o utente, no sentido de promover um aumento mais expressivo e sustentado da vacinação pneumocócica nos grupos de risco.

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Publicado

04-03-2026

Como Citar

Melhoria contínua da qualidade da vacinação pneumocócica em grupos de risco. (2026). Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 42(1), 24-32. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v42i1.14186

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