Evolução do perfil dos utilizadores de psicofármacos na Unidade de Saúde Familiar de Canelas nos últimos 20 anos

Autores

  • Dr.ª Ana Raquel Silva Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.
  • Dr.ª Ana Sofia Amorim Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.
  • Dr.ª Sofia Sapage Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.
  • Dr. Eduardo Almeida Médico Interno de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.
  • Dr.ª Carolina Benfeito Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.
  • Dr. Manuel Sousa Médico Especialista de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v42i1.14275

Palavras-chave:

Psicofármaco, Prescrição, Cuidados de saúde familiar, Abordagem familiar

Resumo

Introdução: Portugal representa o segundo país com maior prevalência de doença psiquiátrica na Europa; ansiedade e depressão são os distúrbios mais frequentes. Não é de estranhar que o consumo de psicofármacos tenha vindo também a aumentar. Objetivos: avaliar a prevalência de consumo de psicofármacos, descrever e analisar a população que os consome, comparando-a com a população da unidade em 2004.

Métodos: Foi realizado um estudo observacional, descritivo e transversal de uma amostra aleatorizada dos utentes adultos inscritos na Unidade de Saúde de Canelas, através da aplicação de um questionário. A análise descritiva da amostra foi seguida da avaliação comparativa utilizando o Teste de Qui-Quadrado ou o Teste Exato de Fisher.

Resultados: A prevalência de utilização de ansiolíticos foi de 19,95%, antidepressivos de 22,37% e a de antipsicóticos de 3,23%. A utilização de ansiolíticos e de antidepressivos foi superior no sexo feminino, em grupos etários mais avançados e predominantemente em viúvos. A utilização dos primeiros associou-se a famílias com um grau de disfunção elevada, já a dos segundos a uma baixa escolaridade.

Discussão: O estudo revelou uma redução de 50,50% no uso de ansiolíticos, em relação a 2004, acompanhada por um aumento no consumo de antidepressivos e antipsicóticos. Essa mudança reflete maior adesão às diretrizes atuais, que recomendam alternativas às benzodiazepinas, nomeadamente os antidepressivos, especialmente no tratamento de insónias e ansiedade. Fatores económicos, como alterações na comparticipação de medicamentos, também poderão ter influenciado estas tendências.

Conclusão: Apesar das limitações, como a dificuldade em associar prescrições a diagnósticos específicos, o estudo reforça a importância de conhecer o perfil dos utilizadores para práticas de prescrição mais eficazes. Houve uma inversão na prevalência de uso, relativamente a 2004, com os antidepressivos a superar os ansiolíticos e hipnóticos, destacando-se as mudanças no perfil das prescrições médicas, assim como no dos utentes.

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Biografias do Autor

  • Dr.ª Ana Raquel Silva, Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.

    Family Medicine Resident

  • Dr.ª Ana Sofia Amorim, Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.

    Formación específica en MGF

  • Dr.ª Sofia Sapage, Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.

    Formación específica en MGF

  • Dr. Eduardo Almeida, Médico Interno de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.

    Formación específica en MGF

  • Dr.ª Carolina Benfeito, Médica Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.

    Formación específica en MGF

  • Dr. Manuel Sousa, Médico Especialista de Medicina Geral e Familiar. USF Canelas, ULS Gaia/Espinho. Canelas, Portugal.

    Especialista en MGF

Referências

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Publicado

04-03-2026

Como Citar

Evolução do perfil dos utilizadores de psicofármacos na Unidade de Saúde Familiar de Canelas nos últimos 20 anos. (2026). Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 42(1), 9-22. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v42i1.14275

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