Fenómeno de Raynaud secundário à toma de betabloqueador: relato de caso
DOI:
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i3.14132Palabras clave:
Fenómeno de Raynaud, Betabloqueadores, Eritema pérnio, Relato de casoResumen
Introdução: O Fenómeno de Raynaud (FR) é uma isquemia transitória das extremidades e pode dividir-se em primário e secundário a várias patologias ou fármacos, como os betabloqueadores. A prevalência deste fenómeno pode variar entre 7-14,7%. A patofisiologia é pouco conhecida. A utilização de betabloqueadores com maior afinidade para os adrenorrecetores beta-1, como o bisoprolol, não será protetora do desenvolvimento de FR.
Descrição do caso: É abordado o caso de um indivíduo, sexo feminino, 64 anos,que recorreu a várias consultas na sua Unidade de Saúde Familiar (USF) e de outras especialidades médicas por quadro progressivo de dor e edema das mãos, alteração da coloração dos dedos e feridas ulceradas, com início após a introdução do bisoprolol e a exposição ao frio (Inverno). Após realização de vários exames e tratamentos para patologias como eritema pérnio e síndroma do túnel carpo (STC), sem sucesso, foi suspenso o tratamento com bisoprolol, com resolução da sintomatologia, assumindo-se o diagnóstico de FR secundário à toma de betabloqueador.
Comentário: O FR é complexo, multifatorial e ainda não completamente compreendido. O FR secundário ao uso de betabloqueadores é um efeito pouco descrito de um fármaco relativamente seguro, muito usado na prática clínica, o que poderá dificultar o seu diagnóstico. A coexistência de STC bilateral vai ao encontro da maior prevalência desta patologia em indivíduos com FR, podendo ter inicialmente atrasado o diagnóstico. As baixas temperaturas e as semelhanças clínicas podem justificar a consideração de diagnósticos como eritema pérnio. A observação por vários médicos de diferentes especialidades, por iniciativa da doente, poderá também ter dificultado o diagnóstico e seguimento. Assim, este relato procura alertar para o diagnóstico de FR secundário à terapêutica com betabloqueadores, especialmente no Inverno, pela possível confusão com eritema pérnio e para a importância de um seguimento médico adequado.
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Referencias
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