Perceção e valorização pelos profissionais de saúde dos problemas da ética clínica: estudo observacional na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo
DOI:
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i5.14022Palabras clave:
Ética clínica, Problemas éticos, Suporte à decisão ética em saúde, Consultor éticoResumen
Introdução: A ética clínica integra a identificação, análise e resolução de problemas éticos que surgem em contexto assistencial. Assim, os objetivos desta investigação foram os seguintes: caracterizar a forma como os profissionais de saúde identificam e gerem os problemas da ética clínica e identificar que ferramentas e estruturas de apoio considerariam úteis.
Métodos: Estudo transversal, observacional, tendo como população-alvo os profissionais de saúde a trabalhar em cuidados de saúde primários na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT). Realizou-se uma amostragem aleatória por cluster simples de uma etapa, estratificada, para obtenção de um total de 400 profissionais de saúde. Aplicou-se um questionário de autopreenchimento, previamente aplicado em quatro países europeus, adaptado e submetido a teste-piloto.
Resultados: Recolheram-se 204 questionários, 96% dos participantes reportaram experiência com pelo menos um dos sete tipos de problemas éticos descritos. Os problemas mais frequentemente identificados foram o cuidado de adultos cuja capacidade de decisão sobre a própria saúde era desconhecida ou estava comprometida (94%) e situações em que a gestão de recursos obrigou o profissional a optar por uma solução diferente da desejada (81%). Apenas 16% dos profissionais tinham recorrido a algum dos recursos de apoio ético descritos. Os recursos considerados mais úteis na resolução de problemas éticos foram os que ofereciam ajuda na clarificação das questões éticas ao próprio e aos demais profissionais envolvidos (42%).
Conclusão: Os problemas éticos são uma parte constitutiva da complexidade do cuidar, o que evidencia a necessidade de um suporte ético adequado na tomada de decisão. Todavia, destaca-se como tendência predominante uma baixa utilização desses recursos pelos profissionais de saúde. Esta situação deverá ser objeto de reflexão no desenho dos modelos organizativos de suporte à decisão ética.
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