Melhoria da decisão clínica na monitorização de utentes com diabetes mellitus tipo 2
DOI:
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i6.13748Palabras clave:
Governação clínica, Diabetes mellitus, Automonitorização da glicemia capilarResumen
Introdução: Nos cuidados de saúde primários, a diabetes mellitus, nomeadamente tipo 2 (DM2), é um problema de saúde com um importante impacto a nível clínico e financeiro. Em Portugal, mais de um terço dos utentes com DM2 não insulino-tratados recebe prescrição de produtos para automonitorização da glicemia capilar, apesar da evidência limitada sobre a sua real pertinência.
Objetivos: Avaliar o impacto da Recomendação nº 2/2019, da Comissão de Farmácia e Terapêutica da Administração Regional da Saúde do Centro (ARSC), na prescrição de tiras reativas para utentes com DM2, analisando os efeitos na decisão clínica, nos resultados em saúde e nas práticas organizacionais.
Métodos: Aplicação de questionário aos coordenadores das unidades da ARSC para aferir o impacto da recomendação na sua Unidade e avaliação de dados do BI-CSP. Os dados foram tratados com recurso ao SPSS® e Microsoft Excel®.
Resultados: Obteve-se resposta de 59 unidades em 141. A recomendação foi discutida e aplicada em 67,9% das unidades. Em 61,9% dos casos observou-se uma melhoria nos resultados e 95,2% dos coordenadores indicaram mudanças nos comportamentos da equipa médica. Além disso, 98,2% consideraram que a recomendação contribuiu para a redução da utilização de tratamentos ineficazes e 98% referiram que promoveu a disseminação de boas práticas de auditoria dentro das unidades. Os dados do BI-CSP evidenciam uma redução do número de utentes com DM2 com prescrição de produtos de autocontrolo em todos os ACeS da ARSC, sendo essa redução mais acentuada na ARSC em comparação com as restantes ARS. O número de embalagens prescritas também diminuiu de forma mais expressiva na ARSC face às demais regiões.
Discussão: Os resultados sugerem um impacto positivo da recomendação na prática clínica. Este estudo sublinha a importância do investimento em investigação sobre intervenções que melhorem a qualidade dos cuidados de saúde e promovam maior eficiência clínica e administrativa.
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