Consulta não programada em saúde infantil
DOI:
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v41i6.14157Palabras clave:
Cuidados de ambulatório, Lactente, Criança, Adolescente, Cuidados de saúde primáriosResumen
Introdução: O médico de família tem um papel relevante como primeiro interveniente em situações de doença aguda. Associado à elevada procura da consulta não programada (CNP) em idade pediátrica, considerou-se pertinente caracterizar a CNP numa Unidade de Saúde Familiar (USF). Consideraram-se CNP aquelas sem marcação prévia, destinadas à observação de doença aguda.
Métodos: A amostra incluiu as CNP realizadas na população pediátrica (<18 anos) durante 2022 numa USF. Foi realizado um estudo retrospetivo, observacional e descritivo, com análise de variáveis demográficas, motivo de consulta, diagnóstico e orientação. Foi também avaliado o seguimento das crianças em consulta de saúde infantil e juvenil (CSIJ). Realizou-se análise estatística recorrendo ao SPSS® v. 28.
Resultados: Das 1224 consultas, numa amostra de crianças com idade mediana de 6,2 anos, 42,0% foram realizadas antes da idade escolar. A maioria das crianças apresentava seguimento regular em CSIJ, com os adolescentes a partir dos 14 anos apresentando menor frequência de seguimento. A distribuição das consultas não foi uniforme ao longo do ano, registando-se 39,4% de outubro a dezembro. A febre (40,6%) a par da tosse/rinorreia (28,5%) foram os principais motivos de consulta. O grupo diagnóstico mais frequente foi a patologia respiratória (46,5%) e, na maioria das consultas, o plano consistiu em medidas gerais e sintomáticas (52,4%). Somente 6,1% foram referenciadas ao serviço de urgência (SU) hospitalar, sendo que em 62,7% a referenciação foi considerada adequada.
Conclusão: A CNP constitui um suporte fundamental na observação de doença aguda em idade pediátrica, reduzindo significativamente a utilização do SU. A maioria da patologia correspondeu a infeções respiratórias, apenas orientadas com medidas sintomáticas. Destaca-se a necessidade de melhoria do seguimento dos adolescentes, bem como a necessidade de reforço das equipas médicas no outono/inverno. Assim, este estudo poderá constituir um ponto de partida para a melhoria de resposta em CNP, com maior planeamento e qualidade dos cuidados prestados.
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