Visão comparativa entre Medicina Realística e Saúde Realística no ambiente de medicina geral e familiar: um estudo observacional exploratório
DOI:
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v42i1.14212Palavras-chave:
Medicina Realística, Saúde Realística, Medicina geral e familiarResumo
Introdução: A Medicina Realística (MR) e a Saúde Realística (SR) são dois conceitos sobre cuidados médicos, cuja delimitação ainda apresenta ambiguidades entre os profissionais.
Objetivos: Investigar a opinião dos médicos portugueses de medicina geral e familiar (MGF) acerca dos critérios de MR e SR.
Métodos: Foram obtidas anuências autoral e ética e realizado questionário específico validado, aplicado em redes virtuais de conversação em 2023 e 2024, com as variáveis: sexo, idade, ser interno de especialidade (MIFE-MGF) e especialista (E-MGF) e tipo de unidade de saúde de trabalho. O consentimento informado permitiu uma só resposta, anónima em escala de Lickert de 1 a 5 (5=Concordo Totalmente), variando o somatório entre [10 a 50] para SR e [6 a 30] para MR. Realizou-se análise de dados descritiva e inferencial não-paramétrica.
Resultados: Amostra de conveniência de n=130, 64,3% mulheres, 74,6% trabalhando em USF, tendo 28,5% até 34 anos e 46,9% de 35 a 54 anos, sendo 15,4% internos. O somatório de MR entre MIFE-MGF e E-MGF foi diferente, p=0,032, pontuando mais os MIFE-MGF. Para “Considera que a Medicina Realística é semelhante à Saúde Realística?”, as variáveis sexo (p=0,037) e grupo etário (p=0,039) foram diferentes, sendo os homens e os mais idosos aqueles que mais a reconhecem. Entre a soma de MR e SR para E-MGF verificou-se correlação moderada positiva e significativa, r=0,497, p<0,001, sendo fraca positiva e não significativa para MIFE-MGF, r=0,277, p=0,237.
Discussão/Conclusão: Este estudo inédito e exploratório destaca escassez de clareza conceptual entre os respondentes quanto a MR e SR, especialmente para MIFE-MGF na mais lata SR.
Downloads
Referências
1. Bunker JP. The role of medical care in contributing to health improvements within societies. Int J Epidemiol. 2001;30(6):1260-3.
2. Cutler DM, McClellan M. Is technological change in medicine worth it? Health Aff (Millwood). 2001;20(5):11-29.
3. Macinko J, Starfield B, Shi L. The contribution of primary care systems to health outcomes within Organization for Economic Cooperation and Development (OECD) countries, 1970-1998. Health Serv Res. 2003;38(3):831-65.
4. Kaplan RM, Milstein A. Contributions of health care to longevity: a review of 4 estimation methods. Ann Fam Med. 2019;17(3):267-72.
5. Oeppen J, Vaupel JW. Demography: broken limits to life expectancy. Science. 2002;296(5570):1029-31.
6. Thiyagarajan JA, Mikton C, Harwood RH, Gichu M, Gaigbe-Togbe V, Jhamba T, et al. The UN decade of healthy ageing: strengthening measurement for monitoring health and wellbeing of older people. Age Ageing. 2022;51(7):afac147.
7. Fenning SJ, Smith G, Calderwood C. Realistic medicine: changing culture and practice in the delivery of health and social care. Patient Educ Couns. 2019;102(10):1751-5.
8. Smith R. From realistic medicine to realistic health. BMJ. 2023;381:989.
9. Sema FD, Asres ED, Wubeshet BD. Evaluation of rational use of medicine using WHO/INRUD core drug use indicators at Teda and Azezo Health Centers, Gondar Town, Northwest Ethiopia. Integr Pharm Res Pract. 2021;10:51-63.
10. World Health Organization. One Health [homepage]. Geneva: WHO; 2017 Sep 21 [cited 2023 Oct 10]. Available from: https://www.who.int/news-room/questions-and-answers/item/one-health
11. Campos LS, Rosa P, Martins PC, Xavier B, Leuschner P, Marques MI, et al. Recomendações para a redução do impacto ambiental dos inaladores em Portugal: documento de consenso [Recommendations for reducing the environmental impact of inhalers in Portugal: consensus document]. Acta Med Port. 2024;37(9):654-61. Erratum in: Acta Med Port. 2024;37(11):817-8. Portuguese
Downloads
Publicado
Edição
Secção
Licença
Direitos de Autor (c) 2026 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar

Este trabalho encontra-se publicado com a Licença Internacional Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0.
Os autores concedem à RPMGF o direito exclusivo de publicar e distribuir em suporte físico, electrónico, por meio de radiodifusão ou em outros suportes que venham a existir o conteúdo do manuscrito identificado nesta declaração. Concedem ainda à RPMGF o direito a utilizar e explorar o presente manuscrito, nomeadamente para ceder, vender ou licenciar o seu conteúdo. Esta autorização é permanente e vigora a partir do momento em que o manuscrito é submetido, tem a duração máxima permitida pela legislação portuguesa ou internacional aplicável e é de âmbito mundial. Os autores declaram ainda que esta cedência é feita a título gratuito. Caso a RPMGF comunique aos autores que decidiu não publicar o seu manuscrito, a cedência exclusiva de direitos cessa de imediato.
Os autores autorizam a RPMGF (ou uma entidade por esta designada) a actuar em seu nome quando esta considerar que existe violação dos direitos de autor.