Anti-histamínicos no resfriado comum: Uma prescrição igualmente comum

Autores

  • José Agostinho Santos Interno de Medicina Geral e Familiar, USF Lagoa, Centro de Saúde da Senhora da Hora, ULS - Matosinhos.

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v28i1.10916

Palavras-chave:

Anti-histamínicos, Resfriado Comum

Resumo

Objectivos: A literatura salienta a popularidade, entre a comunidade médica, da abordagem terapêutica com anti-histamínicos para o resfriado comum. O objectivo deste trabalho consiste em rever a evidência sobre a efectividade e a segurança dos anti-histamínicos em monoterapia no resfriado comum em pacientes pediátricos e adultos. Fontes de dados: Medline, sítios de medicina baseada na evidência, Índex de Revistas Médicas Portuguesas e referências bibliográficas dos artigos seleccionados. Métodos de revisão: Pesquisa de normas de orientação clínica (NOC), revisões sistemáticas e ensaios clínicos aleatorizados e controlados (ECAC), publicados entre Janeiro/1980 e Outubro/2010, utilizando os termos MeSH: antihistamines e common cold. Foi utilizada a escala Strength Of Recommendation Taxonomy (SORT) para atribuição dos níveis de evidência e forças de recomendação. Resultados: Foram encontrados 70 artigos, dos quais sete foram seleccionados: duas NOC para abordagem do resfriado comum que não incluem anti-histamínicos em monoterapia como opção terapêutica; uma meta-análise da Cochrane que não encontrou benefício clínico com o uso de anti-histamínicos em monoterapia e que sugere um risco acrescido de efeitos sedativos com os de 1.a geração. Os autores recomendam a descontinuação da prescrição destes fármacos no resfriado comum (nível de evidência 1); quatro ECAC de boa qualidade nos quais se verificou que a terapêutica com diferentes anti-histamínicos foi tão eficaz quanto o placebo na redução da tosse aguda e, em três dos quais não se apresentaram diferenças significativas nos efeitos laterais (nível de evidência 1). Conclusões: A evidência disponível indica que o uso de anti-histamínicos em monoterapia na terapêutica sintomática do resfriado comum não é efectivo em crianças e adultos (SOR A). Diversos estudos sugerem um risco acrescido de efeitos sedativos com esta terapêutica (SOR B). Esta sedação é frequentemente confundida com uma prostração que sugeriria um agravamento do quadro, algo a acrescentar a um custo desnecessário associado a esta prescrição que apenas é evidentemente comum.

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Publicado

2012-01-01

Como Citar

Santos, J. A. (2012). Anti-histamínicos no resfriado comum: Uma prescrição igualmente comum. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 28(1), 43–8. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v28i1.10916