Vacinação extra-PNV dos 2-4 anos de idade: fatores associados à não realização e perspetiva do pediatra vs médico de família

Joana Teixeira, Maria Miguel Gomes, Marina Gonçalves, Ana Gomes

Resumo



Objetivos: Pretendemos conhecer os fatores associados à não realização e as recomendações do médico de medicina geral e familiar (MGF) e do pediatra acerca destas vacinas.
Tipo de estudo: observacional, transversal, descritivo.
Local: USF da zona norte do País (Braga – USF de Ruães).
População: Crianças com idades compreendidas entre os 2 e os 4 anos de idade; pediatras e MGF de Braga.
Métodos: Consulta do processo clínico eletrónico da criança juntamente com um questionário realizado por via telefónica, respondido pelos pais ou encarregados de educação, no período de agosto de 2014 a janeiro de 2015. Para avaliação das recomendações dos médicos MGF e pediatra foi aplicado um questionário eletrónico, de resposta online, a médicos de pediatria e MGF. Os dados foram analisados com recurso ao programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS®, Chicago, IL, USA), versão 17.0 para Microsoft Windows®.
Resultados: Amostra de 180 crianças, dos 2-4 anos de idade. A taxa de cobertura vacinal contra Streptococcus pneumoniae 13-valente foi de 81,7%. Não se encontrou relação estatisticamente significativa entre o desemprego e a não realização das vacinas extra-PNV. Verificamos uma maior vacinação contra Neisseria meningitidis do serogrupo B e contra o vírus da hepatite A (VHA) na ausência de insuficiência económica (p value de Fisher=0,008 e p=0,046, respetivamente). Verificou-se uma associação entre a realização da vacina contra o rotavírus e frequência de infantário (p=0,029). Observou-se também uma associação estatisticamente significativa entre as crianças cuja escolaridade do pai ou da mãe era licenciatura/bacharelato e a realização das vacinas contra o rotavírus e anti-VHA. O elemento informador das vacinas extra-PNV foi o médico de família em 46%. A realização de todas as vacinas extra-PNV (exceto gripe sazonal) foi superior nas crianças que eram ou tinham sido seguidas por pediatra.
Quanto ao questionário aplicado aos médicos obtivemos uma amostra total de 30 MGF e 30 pediatras. Revelou que a vacina mais aconselhada em ambos os grupos foi a contra Streptococcus pneumoniae. A ordem de importância atribuída às vacinas extra-PNV foi a mesma entre os dois grupos de profissionais. A principal razão para nem sempre aconselharem a vacina contra Streptococcus pneumoniae foi o preço.
Conclusões: Para a maioria destas vacinas, desemprego e insuficiência económica não são fundamentais na decisão de não vacinar, o que salienta o esforço por parte dos pais em garantir a vacinação. É urgente a tomada de medidas que permitam um acesso mais justo às diferentes opções vacinais.

Palavras-chave


Vacinação; Programa Nacional de Vacinação; Não-cumprimento.

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v32i1.11686

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