Gestão terapêutica dos episódios de dor aguda autolimitada em utentes de um Centro de Saúde

Sílvia Batista, Inês Cordeiro, Nuno Florêncio, Duarte Rebelo, Flávio Simões, Maria Inês Taborda, Joana Teixeira

Resumo



Introdução: O tratamento da dor é uma competência do médico mas também dos indivíduos. A automedicação informada é benéfica para a população e para o Sistema de Saúde, mas incorrecções são frequentes, aumentando o risco de efeitos adversos.
Objectivos: Caracterizar, na amostra em estudo, os episódios autolimitados de dor aguda e a gestão terapêutica dos mesmos.
Estudar os casos de automedicação em termos de frequência e relação com factores sócio-demográficos.
Métodos: O estudo transversal foi realizado usando uma amostra de 352 utentes do Centro de Saúde do Cacém (extensão Olival) com recurso a questionário por entrevista pessoal acerca de dor aguda autolimitada nos 30 dias anteriores e sua gestão terapêutica.
Resultados: contabilizaram-se 89 episódios de dor aguda autolimitada (25,3%), maioritariamente mulheres. Os episódios mais frequentes foram cefaleias (48,3%), mialgias e cefaleias relacionadas com síndrome gripal (10,1%) e raquialgias (7,9%). Dos 89 utentes que referiram ter tido um episódio de dor agudo autolimitado nos 30 dias antecedentes ao questionário, 63,0% recorreram unicamente a terapêutica farmacológica, com 12,4% recorrendo também a terapêutica não farmacológica. Paracetamol (50,7%) e AINEs (31,3%) foram os fármacos mais utilizados. A automedicação foi muito frequente (46,5%) e ocorreu principalmente em mulheres e em idades inferiores a 45 anos, associando-se a doses sub-terapêuticas, com base igualmente em indicação médica anterior ou em auto-decisão.
Discussão: Verificou-se que há associações significativas entre a automedicação e alguns factores sócio demográficos e que aquela interfere com a posologia adequada. Também se observou que a autodecisão é muito importante dentro da automedicação, sugerindo-se que os utentes devam ser mais bem esclarecidos sobre as propriedades dos fármacos.

Palavras-chave


Epidemiologia da dor; Frequência; Dor Aguda; Automedicação

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v24i4.10526

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