Bronquiolite aguda: (in)formar para prevenir

Margarida Cunha, Carolina Constant, Ana Sofia Mota, Teresa Bandeira

Resumo


Introdução: A Bronquiolite Aguda (BA) é a infeção respiratória baixa mais frequente nos dois primeiros anos de vida. Os cuidados antecipatórios são eficazes na prevenção e deteção precoce de gravidade da doença.

Objetivos: Avaliar o conhecimento dos pais/cuidadores sobre BA e explorar determinantes desse conhecimento, incluindo fontes de informação e associação com medidas preventivas.

Métodos: Questionário a pais/cuidadores de crianças com idade inferior ou igual a 24 meses entre 1-15 de Abril 2016. Caracterizámos os respondedores e os filhos e o conhecimento auto-percecionado e real sobre BA, experiência anterior, fatores de risco, fontes de informação e conhecimento sobre medidas preventivas. O questionário foi aplicado por estudantes de medicina, em consulta programada, urgência hospitalar e em locais públicos. Análise descritiva e de associação (SPSS 21®).

Resultados: Obtiveram-se 123 questionários completamente preenchidos. Os respondedores foram a mãe 92(74,8%), pai 23(18,7%), outro 8(6,5%), com idade média 33,1±7,9 anos, ensino secundário/superior 100 (81,4%). Dos participantes, 24(19,5%) eram fumadores e 56(46%) das crianças tinham pelo menos um irmão. O conhecimento real sobre BA [52 (42%)] foi menor que o percecionado [89 (72,4%)] verificando-se uma relação entre ambos (p=0,03). O conhecimento real não é influenciado pelo número de irmãos (p=0,539), habilitações literárias (p=0,520), experiência prévia com BA (p=0,059) ou fontes de informação [médico (50,5%), folhetos (5,6%)] (p=0,916), mas influencia o conhecimento sobre medidas preventivas [importância da lavagem das mãos (p=0,001), risco da exposição tabágica durante a gravidez (p=0,047) e após nascimento (p=0,416), efeito protetor do aleitamento materno (p=0,047) e maior risco de contágio em espaços fechados (p=0,029)]. Dos 34 pais/cuidadores com experiência prévia sobre BA, 13 (40,6%) tinham recebido informação prévia ao diagnóstico.

Conclusão: Verificámos que conhecimento sobre BA influencia atitudes preventivas. A informação foi transmitida por médicos em cerca de ½ dos casos. Estes resultados podem guiar a elaboração de campanhas mais eficazes.


Texto Completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v36i2.12436

Apontadores

  • Não há apontadores.


Copyright (c) 2020 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar