O desafio diagnóstico de uma zoonose

Susana Silva Pinto, Raquel Aires Pereira, Ana Luísa Graça, Cátia Caldas, António Sarmento

Resumo


Introdução: A febre Q é uma zoonose, causada pela Coxiella burnetii. Esta bactéria está presente em produtos de animais, sobretudo gado ovino, caprino e bovino e transmite-se ao humano pela inalação de aerossóis. Sendo uma doença de declaração obrigatória em Portugal desde 1999, é epidemiologicamente relevante em todo o mundo, tanto na sua forma aguda, com relato de vários surtos na última década, como na sua forma persistente localizada, sendo das causas mais comum de endocardite com hemoculturas negativas.

Descrição do caso: Mulher de 47 anos que se dirige aos cuidados de saúde primários com febre prolongada, sem foco evidente, após assistir a um parto de gado caprino, tendo sido referenciada ao serviço de urgência hospitalar. Pela apresentação clínica, corroboração analítica e epidemiologia fortemente sugestiva, iniciou terapêutica empírica para brucelose com doxiciclina e estreptomicina. Posteriormente, na consulta externa de infeciologia, foi confirmado diagnóstico de febre Q e ajustada terapêutica. A doente completou 14 dias de tratamento com doxiciclina, com melhoria clínica e sem complicações.

Comentário: Doentes com febre Q podem apresentar-se com um amplo espectro de manifestações da doença: ausência de sintomas, sintomas ligeiros a graves, bem como doença persistente localizada. Devido à inespecificidade dos sinais e sintomas da febre Q, o diagnóstico laboratorial é essencial para a confirmação da suspeita clínica. Relativamente ao tratamento, a doxiciclina é o antibiótico de primeira linha para o tratamento desta infeção. Este caso clínico mostra que a acessibilidade dos cuidados de saúde primários na atualidade promove o primeiro ponto de contacto com o Serviço Nacional de Saúde e o papel do médico de família enquanto responsável pela articulação com outras especialidades.


Palavras-chave


Zoonose; Febre Q; Cuidados de saúde primários

Texto Completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v36i4.12615

Apontadores

  • Não há apontadores.


Copyright (c) 2020 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar