Vacinação antipneumocócica em adultos com doença invasiva pneumocócica: análise num concelho do Norte de Portugal

Tomás Silva, Luís Guedes, Diogo Queiroz Almeida, Filipa Malcata, Gustavo Duarte, Jaime Baptista

Resumo


Objetivos: Descrever os casos de doença invasiva pneumocócica notificados em adultos residentes no concelho de Matosinhos entre 2016 e 2018 e avaliar o seu estado vacinal, de acordo com o preconizado na Norma de Orientação Clínica nº 011/2015, da Direção-Geral da Saúde, que estabelece os grupos de risco em que a vacinação antipneumocócica de adultos é recomendada em Portugal.

Métodos: Análise retrospetiva dos casos confirmados de doença invasiva pneumocócica em adultos (idade ≥ 18 anos) residentes no concelho de Matosinhos, notificados através do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE), entre 2016 e 2018. Análise descritiva dos casos e avaliação do estado vacinal de acordo com a Norma de Orientação Clínica nº 011/2015.

Resultados: Observaram-se 47 casos confirmados, 66,0% com idade igual ou superior a 65 anos e 83,0% com idade igual ou superior a 50 anos. Do total, 37 casos (78,7%) apresentavam pelo menos uma das condições de risco para a doença enumeradas na norma. Destes, cinco (13,5%) tinham registo de vacinação antipneumocócica, sendo que um (2,7%) apresentava o esquema recomendado completo.

Conclusões: Verificou-se uma baixa proporção de casos de doença invasiva pneumocócica com vacinação antipneumocócica prévia. Vários motivos podem justificar os resultados encontrados, sendo necessária mais investigação neste âmbito. Destaca-se a importância da idade como fator de risco, justificando a discussão da sua inclusão nas recomendações. Este estudo evidencia a importância da doença invasiva pneumocócica, assim como a necessidade de avaliar a adesão à Norma nº 11/2015, promover a vacinação antipneumocócica junto dos profissionais de saúde e da população e reavaliação dos critérios de vacinação.


Palavras-chave


Infeções pneumocócicas; Vacinas pneumocócicas; Adultos; Vigilância epidemiológica em saúde pública; Portugal

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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v36i4.12676

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