Caracterização das Consultas Abertas

Ana Azevedo Ramos, Inês Proença, João Magalhães, Leonor Grijó, Liliana Beirão, Maria João Canavez Peixoto, Sílvia Camões

Resumo


Objetivos: A Consulta Aberta (CA) é um tipo de consulta fundamental no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários (CSP) e desempenha um papel central para a gestão eficiente de recursos, sustentabilidade e qualidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Este estudo teve como principal objetivo a caracterização das CAs da USF Espaço Saúde através do estudo de um conjunto alargado de variáveis, incluindo os motivos de consulta e os diagnósticos registados em cada consulta.

Tipo de estudo: Estudo transversal descritivo.

Local: USF Espaço Saúde, ACeS Grande Porto VI - Porto Ocidental.

População: Utentes que recorreram à CA da USF Espaço Saúde durante os meses de Janeiro, Abril e Julho de 2014.

Métodos: Foi realizada a colheita de um conjunto de variáveis (idade, género, comorbilidades, nível de escolaridade, situação laboral, médico de família, médico que realizou a consulta aberta, isenção ou não-isenção de taxa moderadora, número total de consultas que o utente teve no ano de 2014, motivo da consulta aberta, diagnóstico segundo a ICPC-2 e referenciação para o SU/Hospital) através do SClínico®. A análise estatística dos dados foi realizada através do programa Microsoft Excel 2015®.

Resultados: Foram realizadas um total de 1310 CAs, representando 41,2% do total das consultas presenciais. A maioria dos utentes pertencia ao sexo feminino (62,7%, n=821) apresentando uma média de idades de 44,8 anos. Os utentes que mais recorreram a CA foram aqueles que em relação à sua situação profissional se encontravam no ativo (41,5%, n=544) e que eram isentos de taxas moderadoras (58,7%, n= 769). O motivo mais registado de CA foi o A62 - Procedimento Administrativo (6,12%) seguindo-se o R05 – Tosse (5,35%); o A31 e o W31 - Exame médico/avaliação de saúde parcial (ambos com 4,97%). O diagnóstico mais registado foi o R74 - Infecção aguda do aparelho respiratório superior (6,52%) seguido por A98 – Medicina Preventiva/Manutenção da Saúde (5,71%) e K86 - Hipertensão sem complicações (5,18%). Foi realizada referenciação para o Serviço de Urgência em apenas 22 consultas (1,9%) e referenciação a consulta hospitalar em 78 consultas (6,0%).

Conclusões: Para além da caracterização detalhada da CA realizada na USF, o estudo permitiu verificar a importância de se investir na Literacia em Saúde dos utentes, no sentido de compreenderem as indicações específicas que devem motivar a ida à CA. Os resultados do estudo reforçam ainda, a importância de um correto registo clinico, que, por vezes, por falta de gestão de tempo dos profissionais fica comprometido, limitando não só o seguimento clínico do utente como uma possível investigação futura. Através da análise crítica dos principais motivos/diagnósticos pelos quais os utentes recorrem à CA, será possível uma melhor gestão de recursos, que aliados ao trabalho em equipa, permitirão uma melhor assistência e qualidade de resposta no âmbito das CA.

Palavras-chave: Consulta aberta; Intersubstituição médica.


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v34i6.12082

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