Ambivalência(s) da adolescência e a importância do médico de família: um relato de caso

Ana Rita Magalhães, Joana Montenegro Penetra, Ana Catarina Domingues, Ana Letra, Maria Glória Neto, Nicoleta Martins

Resumo


Introdução: o Médico de Família (MF) além de estar apto a abordar as problemáticas mais prevalentes da adolescência, deve ainda promover a participação ativa e responsável do adolescente nas questões de saúde, fundamentando a sua ação numa intervenção individualizada e na confidencialidade. A consciência da orientação sexual no caso da homossexualidade surge, normalmente, no período da adolescência, podendo envolver um período de confusão e dúvida. A discriminação e estereótipos associados ainda marcam muito quem se vê confrontado com a sua orientação sexual.

Descrição do caso: sexo masculino, 16 anos, consulta de vigilância de saúde a pedido da mãe que dias antes procura os elementos da equipa por noção de isolamento, tristeza e receio de problema psicológico grave com o filho. Durante abordagem conhecida pelo acrónimo HEEADSSS, sozinho, surge a dúvida sobre a própria sexualidade admitindo pensar ser homossexual, com inúmeros receios, ambivalências e vergonha acerca deste assunto, que o têm levado a afastar-se da família, grupo de amigos e colegas. As dúvidas relacionadas com o futuro escolar e profissional também o deixam preocupado sentindo-se sozinho num mundo com o qual não se identifica. Escuta ativa e confidencialidade, desmistificação de algumas temáticas e disponibilidade para consultas, assim como, encaminhamento para Psicólogo fazem parte do plano conjunto centrado no adolescente, que apresenta franca melhoria do humor e motivação.

Comentário: as dúvidas relativas à orientação sexual podem ser devastadoras no período da adolescência, condicionando isolamento, auto culpabilização e vergonha. O MF ocupa uma posição privilegiada na deteção precoce e esclarecimento das questões relacionadas com a sexualidade, permitindo assim um crescimento e desenvolvimento saudáveis, em termos físicos, psicológicos e sociais.

Palavras-chave: Método Clínico Centrado no Paciente; Orientação Sexual; Adolescência


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DOI: http://dx.doi.org/10.32385/rpmgf.v36i2.12418

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