Duração da consulta: fatores influenciadores e perspetivas de médicos e utentes – um estudo transversal

Autores

  • Catarina Neves Santos Médica Interna de Formação Específica em Medicina Geral e Familiar na USF Ramada, ACeS Loures-Odivelas, ARSLVT. http://orcid.org/0000-0003-3232-1928
  • Bruno Ferreira Pedrosa Assistente Interno de Medicina Geral e Familiar. USF Ramada, ACeS Loures-Odivelas. Ramada, Portugal.
  • Marília Martins Assistente Interno de Medicina Geral e Familiar. USF Ramada, ACeS Loures-Odivelas. Ramada, Portugal.
  • Fábio Gouveia Assistente em Medicina Geral e Familiar. USF Souto Rio, ACeS Baixo Vouga. Aveiro, Portugal.
  • Fátima Franco Assistente Graduada em Medicina Geral e Familiar. USF Ramada, ACeS Loures-Odivelas. Ramada, Portugal.
  • Margarida João Vardasca Assistente Interna de Medicina Geral e Familiar. USF Ramada, ACeS Loures-Odivelas. Ramada, Portugal. | Assistente convidada. Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Lisboa, Portugal.
  • Bernardo Pedro Assistente em Medicina Geral e Familiar. ACeS Lisboa Norte. Lisboa, Portugal.
  • Jorge Domingues Nogueira Assistente Graduado em Medicina Geral e Familiar. USF Ramada, ACeS Loures-Odivelas. Ramada, Portugal.

DOI:

https://doi.org/10.32385/rpmgf.v39i6.13523

Palavras-chave:

Cuidados de saúde primários, Médico de cuidados primários, Gestão do tempo, Relações médico-paciente, Satisfação do paciente

Resumo

Introdução: O tempo de consulta é um recurso fundamental e é determinante para a satisfação de médico e utente. Uma duração de consulta superior parece associar-se a maior satisfação por parte dos intervenientes e contribuir para uma melhoria da qualidade de vida nos utentes com multimorbilidade. Contudo, não existe evidência suficiente para afirmar que um aumento do tempo de consulta é benéfico para o utente e sabe-se que são vários os fatores que podem influenciar a sua duração.

Objetivos: Avaliar a perceção dos utentes quanto à duração da consulta, comparar a opinião de médico e utente quanto à adequação da duração e satisfação com a consulta e identificar fatores que influenciam a duração da mesma.

Método: Estudo transversal, com componente quantitativa e qualitativa de design convergente. Para obter dados representativos da unidade em estudo calculou-se uma amostra de 380 consultas médicas presenciais. Foram entregues questionários anónimos a médicos e utentes após o término da consulta. Realizou-se uma análise estatística descritiva e inferencial e uma análise temática dos dados qualitativos.

Resultados: Estudaram-se 403 consultas. Os utentes percecionaram uma duração de consulta superior à real (p<0,001) e consideraram a duração como adequada numa proporção superior à dos médicos (p<0,001). A satisfação dos utentes foi maior com consultas mais longas (p=0,004), enquanto os médicos reportaram maior satisfação com durações intermédias (p<0,001). Consultas realizadas pelo médico de família ou por médicos do sexo feminino (p<0,001), utentes com mais problemas crónicos (p=0,006) e a abordagem de mais problemas na consulta ou de um novo problema em contexto de consulta programada (p<0,001) associaram-se a tempos de consulta superiores.

Conclusões: A duração da consulta tem um papel importante na satisfação dos seus intervenientes. A autonomia das unidades e dos profissionais para adaptarem os tempos de consulta em determinados contextos poderia aumentar a satisfação de médicos e utentes.

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Publicado

2023-12-22

Como Citar

Santos, C. N., Ferreira Pedrosa, B., Martins, M., Gouveia, F., Franco, F., Vardasca, M. J., Pedro, B., & Domingues Nogueira, J. (2023). Duração da consulta: fatores influenciadores e perspetivas de médicos e utentes – um estudo transversal. Revista Portuguesa De Medicina Geral E Familiar, 39(6), 549–61. https://doi.org/10.32385/rpmgf.v39i6.13523