Motivar o doente: um trunfo esquecido na adesão ao tratamento?
DOI:
https://doi.org/10.32385/rpmgf.v38i3.13325Palabras clave:
Motivação, Entrevista motivacional, Adesão ao tratamentoResumen
A motivação do doente tem conhecidas implicações no seu processo de adesão ao projeto terapêutico. Na prática clínica, a parca motivação do utente dificulta a sua proatividade. Consequentemente, interfere negativamente com o cumprimento da medicação ou a adoção de estilos de vida saudáveis, prejudicando a abordagem de diversas patologias, sobretudo das crónicas. De um modo geral, os estudos revelam que a motivação do utente é um conceito largamente utilizado pelos profissionais de saúde, embora com uma definição imprecisa. Maioritariamente é encarada como um traço caracterial, que se traduz na dicotomia entre doente motivado/doente desmotivado, com um enviesamento para a segunda categorização. Esta perspetiva deposita apenas do lado do doente a capacidade da mudança, com consequências negativas para ambos os intervenientes da relação médico-doente. Porém, desde a publicação do Modelo da Entrevista Motivacional (EM), na década de 1980, têm sido documentadas técnicas específicas para aceder ao estado motivacional dos doentes, com vista à sua modificação. Tradicionalmente aplicados às perturbações de uso de substâncias, estes modelos têm mostrado benefício em diversos programas reabilitativos de doenças crónicas. O entendimento do estado motivacional do utente enquanto percurso dinâmico, permeável à modificação externa e passível de modelação por parte do profissional de saúde, aliado ao treino de competências nesta área, poderá melhorar prognósticos, aumentar a satisfação do utente e do profissional e reduzir gastos financeiros nos sistemas de saúde.
Descargas
Referencias
Correas Lauffer J. Prazer e recompensa: os mecanismos da motivação. Atlântico Press; 2019. ISBN 9789898965684
Volkow ND, Wise RA, Baler R. The dopamine motive system: implications for drug and food addiction. Nat Rev Neurosci. 2017;18(12):741-52.
Magrì E. Emotions, motivation, and character: a phenomenological perspective. Husserl Stud. 2018;34(3):229-45.
McCarron TL, Noseworthy T, Moffat K, Wilkinson G, Zelinsky S, White D, et al. Understanding the motivations of patients: a co-designed project to understand the factors behind patient engagement. Health Expect. 2019;22(4):709-20.
Shankar S, Miller WC, Roberson ND, Hubley AM. Assessing patient motivation for treatment: a systematic review of available tools, their measurement properties, and conceptual definition. J Nurs Meas. 2019;27(2):177-209.
Maclean N, Pound P, Wolfe C, Rudd A. The concept of patient motivation: a qualitative analysis of stroke professionals’ attitudes. Stroke. 2002;33(2):444-8.
Salvo MC, Cannon-Breland ML. Motivational interviewing for medication adherence. J Am Pharm Assoc (2003). 2015;55(4):e354-61.
Heath S. Top 4 motivation techniques for health improvement [homepage]. Patient Engagement HIT; 2017 Aug 15 [cited 2021 Aug]. Available from: https://patientengagementhit.com/news/top-4-patient-motivation-techniques-for-health-improvement
Lie SS, Karlsen B, Oord ER, Graue M, Oftedal B. Dropout from an ehealth intervention for adults with type 2 diabetes: a qualitative study. J Med Internet Res. 2017;19(5):e187.
Klok T, Sulkers EJ, Kaptein AA, Duiverman EJ, Brand PL. [Adherence in the case of chronic diseases: patient-centred approach is needed]. Ned Tijdschr Geneeskd. 2009;153:A420. Dutch
Gudjonsson GH, Young S, Yates M. Motivating mentally disordered offenders to change: instruments for measuring patients’ perception and motivation. J Forens Psychiatry Psychol. 2007;18(1):74-89.
Miller WR. Motivational interviewing with problem drinkers. Behav Psychother. 1983;11(2):147-72.
Serebrenic F, Lima DR. Rumo aos 40 anos de entrevista motivacional: evolução da abordagem [Towards 40 years of motivational interviewing: evolvement of the approach]. Mudanças Psicol Saúde. 2019; 27(2):45-52. Portuguese
DiClemente CC, Prochaska JO. Self-change and therapy change of smoking behavior: a comparison of processes of change in cessation and maintenance. Addict Behav. 1982;7(2):133-42.
Descargas
Publicado
Número
Sección
Licencia
Derechos de autor 2022 Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar

Esta obra está bajo una licencia internacional Creative Commons Atribución-NoComercial-SinDerivadas 4.0.
Los autores otorgan a RPMGF el derecho exclusivo de publicar y distribuir en medios físicos, electrónicos, de radiodifusión u otros medios que pueda existir el contenido del manuscrito identificado en esta declaración. También otorgan a RPMGF el derecho de usar y explorar el presente manuscrito, es decir, de ceder, vender o licenciar su contenido. Esta autorización es permanente y entra en vigor desde el momento en que se envía el manuscrito, tiene la duración máxima permitida por la legislación portuguesa o internacional aplicable y tiene un alcance mundial. Los autores declaran además que esta transferencia se realiza de forma gratuita. Si la RPMGF informa a los autores que ha decidido no publicar su manuscrito, la cesión exclusiva de derechos cesa inmediatamente.
Los autores autorizan a RPMGF (oa una entidad que éste designe) a actuar en su nombre cuando considere que existe una infracción a los derechos de autor.